O desafio de transformar gasto público em impacto social
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- O economista Marcos Mendes Mendes acredita que, mesmo com um orçamento robusto destinado à área social, o País não consegue erradicar a pobreza absoluta, nem sequer reduzi-la de forma significativa. O problema, segundo ele, está na incapacidade de converter gasto público em impacto social efetivo.
- Sobre a capacidade produtiva nacional, Mendes explica que esta depende de uma combinação eficiente entre capital e trabalho, capaz de gerar retorno aos cidadãos. “É isso que faz uma sociedade enriquecer ao longo do tempo. E a gente tem sofrido isso no Brasil. A nossa produtividade “anda de lado”, diz.
- O também economista André Portela acrescenta que alocar o trabalhador certo no posto de trabalho adequado — e investir na qualificação desses profissionais — também é determinante para a produtividade de um país. Para o professor da FGV, o Brasil precisa desenvolver mecanismos que “casem bem” as características do cargo com as do trabalhador.
O Brasil gasta muito. E gasta mal. Quando se fala em gastos sociais, a alocação de recursos é ineficiente; quando se trata de produtividade, a economia “anda de lado”. O diagnóstico é dos economistas Marcos Mendes, pesquisador associado no Insper, e André Portela, professor titular de Políticas Públicas na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP).
A avaliação foi feita durante debate na Semana S 2026, evento promovido pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), pelo Senac-SP e pelo Sesc-SP — e divulgado com exclusividade pelo UM BRASIL —, no qual os especialistas discutiram os principais desafios econômicos e sociais do Estado brasileiro.
País não consegue acabar com a pobreza
- Gasto que não vira impacto. Mendes acredita que, mesmo com um orçamento robusto destinado à área social, o País não consegue erradicar a pobreza absoluta, nem sequer reduzi-la de forma significativa. O problema, segundo ele, está na incapacidade de converter gasto público em impacto social efetivo.
- Potencial desperdiçado. “Somando as principais políticas sociais do Brasil, gastamos R$ 640 bilhões por ano. Se colocássemos esse valor apenas nas mãos das famílias que formam os 20% mais pobres da sociedade brasileira, colocaríamos R$ 3,7 mil por mês para cada uma, o que é muito mais do que a renda média per capita, de cerca de R$ 2 mil”, explica.
O papel da produtividade no País
- Economia que não avança. Sobre a capacidade produtiva nacional, Mendes explica que esta depende de uma combinação eficiente entre capital e trabalho, capaz de gerar retorno aos cidadãos. “É isso que faz uma sociedade enriquecer ao longo do tempo. E a gente tem sofrido isso no Brasil. A nossa produtividade “anda de lado”, diz.
- Falta qualificação. “Não adianta haver trabalho e capital se existir um capital de baixa qualidade, como máquinas ruins, ultrapassadas, caras. Se houver uma mão de obra mal treinada, mal qualificada e que não sabe usar aquele capital”, pondera.
- A combinação ideal. Portela acrescenta que alocar o trabalhador certo no posto de trabalho adequado — e investir na qualificação desses profissionais — também é determinante para a produtividade de um país. Para o professor da FGV, o Brasil precisa desenvolver mecanismos que “casem bem” as características do cargo com as do trabalhador. Esse, resume Portela, é o maior desafio.
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