HÁ MAIS DE UMA DÉCADA, O UM BRASIL CONECTA ESPECIALISTAS DE DIVERSAS ÁREAS PARA DISCUTIR OS GRANDES DESAFIOS DO PAÍS
Da modernização do Estado ao combate às desigualdades, da emergência climática à melhoria do ambiente de negócios, da educação à geopolítica, abordamos temas fundamentais para o desenvolvimento brasileiro.
A partir dessas reflexões, o UM BRASIL amplia o protagonismo da FecomercioSP em fóruns de debate, fortalecendo alianças estratégicas com instituições, empresas e lideranças da sociedade civil.
A charge de Caco Galhardo ilustra o momento conturbado que a relação bicentenária entre Brasil e Estados Unidos vive, em meio ao imbróglio das novas tarifas comerciais impostas pelo governo Donald Trump sobre os produtos brasileiros.
Ao longo da História, o Brasil construiu uma tradição diplomática sempre pautada pelo diálogo com diferentes nações e pela diversificação de suas relações comerciais. Essa é uma característica que coloca o País em uma posição vantajosa em meio à escalada das tensões comerciais em todo o mundo.
A opinião é do professor Lucas de Souza Martins, doutorando em História Diplomática pela Temple University e autor do livro “A culpa não é dos EUA: o que aprendemos com os americanos nos últimos 250 anos”. Em entrevista ao Canal UM BRASIL, ele afirma que abrir mão dessa tradição em nome de preferências ideológicas seria um erro que o País não deve cometer.
“O Brasil tem o poder de se sentar com os Estados Unidos ou com a China e negociar de acordo com seus interesses nacionais”, afirma. “Mas se escolher apenas um lado, seja por uma questão ideológica, por uma determinada visão de mundo, ou por alguns valores, perderá a possibilidade de gerar ainda mais riqueza em benefício próprio”, completa.
O professor alerta para o risco de se aderir a um antiamericanismo puro e simples. Segundo ele, a sociedade brasileira não deve olhar apenas para uma fotografia – referindo-se ao momento de tensão atual. “É preciso olhar o filme inteiro”, defende. Ele ressalta a importância da longeva parceria estratégica e comercial entre as duas nações. “Não podemos esquecer que os EUA foram os maiores parceiros comerciais do Brasil até 2010, e continua sendo um dos principais”, pontua.
O especialista explica que, independentemente do governo em vigor, o País sempre teve a característica de se posicionar como um ator que consegue mediar conflitos, participar de vários diálogos, e ampliar a sua participação no comércio exterior. “E esse é um ponto positivo do Brasil, que oferece instrumentos para, por exemplo, contrabalancear questões tarifárias que são impostas hoje”, afirma.
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