Nem utopia, nem distopia: os caminhos possíveis para a humanidade
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EM POUCAS PALAVRAS...
O que você vai encontrar nesta entrevista?
- O físico Marcelo Gleiser defende que a humanidade tem o "dever moral" de preservar a Terra, nossa “casa planetária”, de todas as formas possíveis e com todos os recursos dos quais dispomos.
- "Temos que construir juntos uma retórica de irmandade, troca de afetos, compaixão, equilíbrio, distribuição de renda e proteção ambiental. Esse deveria ser, na verdade, o único jeito de sobrevivermos a nós mesmos”, afirma.
- Gleiser também compartilha uma visão positiva sobre o futuro do empresariado brasileiro. “O Brasil tem a possibilidade muito grande de ser um exemplo de como podemos reinventar nossa relação com o capital e com o meio ambiente no século 21”, afirma.
A humanidade está, de forma devastadora, “canibalizando” os recursos naturais do planeta para sustentar um projeto de civilização criado artificialmente sobre os bens naturais. A ideia é defendida por Marcelo Gleiser, físico, astrônomo, professor e empresário.
Há duas maneiras de encarar esse cenário, explica Gleiser. Uma delas é acreditar em um futuro distópico — tudo está ruim e vai seguir piorando. Seria como afirmar que “o ser humano não tem jeito mesmo”.
“Outro caminho é questionar o que podemos fazer para mudar essa narrativa. E construir, juntos, uma retórica de irmandade, troca de afetos, compaixão, equilíbrio, distribuição de renda e proteção ambiental”, afirma. De acordo com o físico, essa visão alternativa não deveria ser considerada utópica, mas realista. “Deveria ser, na verdade, o único jeito de sobrevivermos a nós mesmos”, conclui.
Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Gleiser reflete sobre os deveres da humanidade e as relações entre a ciência e a espiritualidade, além de compartilhar uma visão positiva sobre o futuro do empresariado brasileiro.
Preservar o planeta é dever moral
- O centro de tudo. A vida é o fenômeno mais completo, complexo e importante que existe no universo. É essa a ideia por trás do “biocentrismo”, um conceito “absolutamente essencial” na visão de Gleiser.
- Gleiser explica. “Até onde sabemos hoje, o único lugar onde há vida, por enquanto, é aqui na Terra. E nós somos uma espécie viva incrivelmente sofisticada que pode contar a história de si mesma neste universo, neste planeta”, reflete.
- Só nos cabe agir. De acordo com o físico, é por isso que a humanidade tem o dever moral de preservar a Terra, nossa “casa planetária”, de todas as formas possíveis e com todos os recursos dos quais dispomos.
Onde ciência e espiritualidade se encontram
- A ciência é um ‘flerte com o desconhecido’. Se um cientista quer entender a natureza, ele também está em busca de entender o “mistério da existência”. É assim que Gleiser entende o ofício rigoroso e sistemático de estudar e compreender o mundo e as diferentes formas de vida.
- Em busca de respostas. “A ciência pergunta coisas sobre as quais a gente não conhece. Queremos entender o que é a gravidade, qual é a menor partícula que existe, o que tem dentro de um buraco negro, como a vida surgiu na Terra. Essas perguntas nos levam além do nosso dia a dia”, explica. Em resumo, a ciência nos permite “uma conversa com um mundo que a gente não conhece”, e há uma dimensão espiritual nisso tudo, conclui o físico.
Empresários brasileiros podem ser a vanguarda mundial
- Pioneirismo nacional. Quando se trata do empresariado nacional, Gleiser vê presente e futuro com um olhar esperançoso. “O Brasil tem a possibilidade muito grande de ser um exemplo de como podemos reinventar nossa relação com o capital e com o meio ambiente no século 21”, afirma.
- Faro para questões ambientais. O físico, que também é empresário, acredita que o ponto forte do País é a capacidade de adaptação às mudanças de mercado — o qual está cada vez mais interessado pelos negócios atentos a bandeiras como a sustentabilidade, o clima e a conservação.
- Olhares renovados. Gleiser afirma ainda que as empresas brasileiras também têm se destacado pela presença de lideranças jovens. “Essas lideranças estão tendo uma visão muito diferenciada quanto ao que podem fazer para o futuro”, afirma. Tudo isso coloca o empresariado brasileiro em condições de ocupar uma vanguarda mundial, observa.
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