Tendências e transformações do mercado editorial brasileiro
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
EM POUCAS PALAVRAS...
O que você vai encontrar nesta entrevista?
- Segundo Cassiano Elek, jornalista e diretor editorial do Grupo Record, jovens brasileiros leem muito e são os que mais compram livros físicos. A ideia de que há uma migração desse público para o e-book é falsa.
- Nos últimos anos, brasileiros passaram a ler mais autores nacionais. "O Brasil passou a ‘ler mais o Brasil’. Isso tem aspectos muito interessantes, muito ricos”. explica.
- De acordo com o especialista, hoje, mais de 50% dos livros são comprados pelo e-commerce. O cenário, que vem crescendo desde a pandemia, dificulta o lançamento de livros novos, de acordo com Elek.
“Existe uma ideia geral de que, hoje, os jovens leem menos. É mentira, eles leem muito. E são os que mais compram livros físicos”, revela Cassiano Elek, jornalista e diretor editorial do Grupo Record.
De acordo com o especialista, a total falta de interesse da juventude atual pela leitura não passa de senso comum, assim como a ideia de que há uma migração desse público para o e-book — que também é falsa.
“Há uma renovação do público leitor, uma coisa fascinante”, celebra. “E que não passa necessariamente por uma campanha das editoras, nem por ações governamentais. Acho que tem uma resiliência do próprio livro”, conclui Elek.
Nesta entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, em parceria com o evento Aberje Trends, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), Elek comenta outras tendências e transformações do mercado editorial no País.
Brasil hoje procura ‘ler mais o Brasil’
- Famosos no topo. Até 2020, os livros mais vendidos no Brasil eram ficções escritas por estrangeiros. Os autores nacionais só figuravam entre os mais lidos no caso de serem celebridades, explica Elek. “Não tinha ninguém que conseguia furar essa bolha. Chico Buarque, por exemplo, é um escritor fabuloso, mas só chegou às vendas que chegou porque ele já era uma pessoa extremamente consolidada e presente no imaginário brasileiro”, constata.
- O que mudou? Nos últimos anos, os brasileiros passaram a ler mais autores nacionais, independentemente da fama. “Houve uma mudança muito grande aqui. Não é que a gente tenha chegado ao patamar da Espanha — que tem 23 autores espanhóis entre os 25 livros mais lidos —, mas o Brasil passou a ‘ler mais o Brasil’. Isso tem aspectos muito interessantes, muito ricos”, conclui.
E-books e audiolivros são tendências no Brasil?
- O futuro do mercado. “Aqui, no Brasil, isso vai pegar, como já pegou em outros lugares”, declara o diretor editorial do Grupo Record, quando questionado a respeito da popularização dos e-books e audiolivros. Apesar dos números tímidos — o e-book representa, atualmente, cerca de 10% do mercado editorial no País, segundo Elek —, esses são modelos com alto potencial de transformar a forma de consumo de livros.
- No fone de ouvido. “O audiolivro também passa a ser um player importante. Nos países nórdicos, por exemplo, já representa metade do mercado. Eu acho que, por aqui, isso nunca vai acontecer, mas tenho a impressão de que ainda vai haver um crescimento muito grande”, explica.
As transformações do mercado editorial
- Da crise das grandes cadeias à covid-19. Os últimos anos impuseram uma nova lógica ao mundo do livro no País. “Estamos vivendo muitas transformações desde o começo da crise da Saraiva, em 2018, e, depois, em 2019, com o acirramento disso. Com a pandemia, essas grandes cadeias começaram a fechar e o mercado passou a migrar para o e-commerce”, explica Elek.
- Compra a um clique. Nesse cenário, a venda de livros passou a ser feita majoritariamente pela internet. De acordo com o especialista, hoje, mais de 50% dos livros são comprados pelo e-commerce. “É uma mudança muito grande. As pessoas não entram na loja virtual para pesquisar o que tem de novo. Elas entram para comprar o que já sabem que querem. A nova lógica do mercado livreiro dificulta a vida do lançamento, do livro novo”, completa.
ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Educação e Cultura
Tendências e transformações do mercado editorial brasileiro
Segundo Cassiano Elek, jornalista e diretor editorial do Grupo Record, jovens brasileiros leem muito e são os que mais compram livros físicos
ver em detalhes
Sociedade
Boa gestão do servidor é central para a qualidade da máquina pública
Em debate realizado pelo Renova BR, em parceria com o UM BRASIL, Cristina Castellan e Jessika Moreira investigam quem está por trás do funcionamento do Estado
ver em detalhes
Economia e Negócios
Longevidade é assunto fundamental para as novas gerações
Nilton Molina, especialista no tema, defende uma repactuação da Previdência Social e que os mais jovens comecem a se preparar financeiramente para o futuro
ver em detalhes