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Educação e Cultura

Bombardeio de conteúdos curtos nas redes sociais desacostumou os cérebros às leituras e aos desafios

Publicado em: 15 de maio de 2026

ENTREVISTADOS

EM POUCAS PALAVRAS...

O que você vai encontrar nesta entrevista?

  • Flávia Bravin, ‘head’ da Saber Educação, fala sobre a importância do livro na construção do pensamento crítico em uma sociedade cada vez mais conectada.
  • De acordo com a especialista, o bombardeamento de conteúdos curtos, como tweets e vídeos para redes sociais, está deixando a sociedade menos habituada às leituras mais longas.
  • E esse cenário também vai “apequenando o mercado editorial”. “Esse ciclo vai longe. Quando tenho menos leitores, tenho menos consumo de livros. Quando tenho menos consumo, tenho menos produção de livros, menos bibliodiversidade e menos autores interessados”, comenta.

O bombardeamento de conteúdos curtos, como tweets e vídeos para redes sociais, está deixando a sociedade menos habituada às leituras mais longas e aos desafios. E esse é um ciclo que se retroalimenta. É o que explica Flávia Bravin, head da Saber Educação e professora na FIA Business School. 

“Quando eu leio menos, cada vez eu vou lendo menos, porque a plasticidade do nosso cérebro vai querendo coisas mais prontas. Sabe quando eu deixo de fazer exercícios e, aí, eu fico com mais preguiça?”, exemplifica. Para ela, vencer essa barreira exige disciplina. E demanda se desafiar, por exemplo, a encerrar o dia lendo um livro, e não imerso no celular. 

Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Flávia ressalta a importância da leitura e do papel do professor na construção do pensamento crítico em uma sociedade cada vez mais conectada. 

Encarando a ‘era do excesso’ 

  • O peso das redes sociais. Flávia acredita que a hiperconectividade e o bombardeio de informações, que moldam a chamada era da informação, afetam diretamente o mercado editorial e o hábito da leitura. 
  • Emaranhado de informações. “Começamos no mundo dos livros em uma era de escassez. E fomos para o oposto. Hoje, vivemos numa era de barulho e de excessos — e o excesso nunca é bom”, afirma. “Agora, qualquer um pode ser escritor, você não consegue mais diferenciar o conteúdo opinativo do conteúdo de pesquisa.”
  • O papel do editor. De acordo com Flávia, nesse contexto, o papel do mercado editorial é ser, cada vez mais, um curador de livros. “O editor sempre foi quem filtra, quem escolhe, no meio dessa multidão, de todas as opções, de todos os originais, qual livro ele entende que fará diferença”, completa. 

Ciclo da falta de leitura começa em casa

  • Novos hábitos. A executiva acredita que inserir a leitura na rotina é um costume que começa no núcleo familiar. Mas, nos dias atuais, esse hábito está cada vez mais escasso. “Se na minha casa não há livros, minha filha não me vê lendo, a chance de ela querer ser uma leitora é muito menor”, explica. 
  • Pensamento crítico prejudicado. Se, dentro do lar, os jovens não tem o exemplo, fica difícil compreender que a leitura é uma possibilidade de lazer, de cultura e de desenvolvimento. “É uma sociedade que vai tirar do livro o papel estratégico de reflexão sobre o mundo”, opina Flávia. 
  • Impactos sobre as editoras. Segundo a especialista, esse cenário também vai “apequenando o mercado editorial”. “Esse ciclo vai longe. Quando tenho menos leitores, tenho menos consumo de livros. Quando tenho menos consumo, tenho menos produção de livros, menos bibliodiversidade e menos autores interessados”, comenta. 

O papel do professor em tempos de IA

  • O lado humano da educação. Ao UM BRASIL, a head da Saber Educação também ressalta os impactos da Inteligência Artificial (IA) dentro das salas de aula. Em um contexto no qual cada vez mais os alunos fazem uso dessas ferramentas, o professor assume o papel do “elemento humano” e do “elemento do pensamento crítico”, explica Flávia. 
  • Saberes complementares. Em resumo, o professor passa a ser ainda mais importante para despertar no aluno sentimentos que a IA não conseguiria. “Na parte técnica, o professor sabe que a tecnologia será, cada vez mais, uma companheira dos estudantes. Mas é o professor que vai trazer o ‘amor ao aprender’”, explica. “A gente pode fazer com que o aluno entenda que ele pode usar IA, mas que ele também precisa aprender a pensar.”

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