Setor privado tem papel relevante na aceleração da agenda climática
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A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), realizada no ano passado, teve como saldo a união do setor privado e o setor público em busca de soluções e ações concretas para frear a crise do clima.
É o que explica Ana Toni, economista, ex-secretária de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e diretora-executiva da COP30, em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Durante a conversa, a especialista ainda tece comentários a respeito do papel desempenhado pelo setor privado na aceleração da agenda do clima e do lugar desse tema na geopolítica mundial.
Protagonismo do setor privado
- União contra a crise. De acordo com Ana, a COP de Belém foi responsável por inaugurar a chamada “década da aceleração da implementação”. “Na conferência, estruturamos uma agenda de ação em seis eixos, criamos um vocabulário para que todos falassem a mesma língua — criando um diálogo entre o setor privado e o setor público — e mostramos que a gente pode acelerar essa agenda”, explica.
- Novo impulso. A especialista elogia a atuação de empresas brasileiras que, nesse contexto, participaram com o levantamento de demandas muito específicas e a articulação de soluções. “O setor privado abraçou a agenda do clima e, agora, está afirmando que a gente precisa caminhar mais rápido”, observa.
- Vantagem competitiva. “Temos condições de encarar o tema da mudança do clima não só como um risco — que também temos, somos vulneráveis —, mas como uma oportunidade de usar os nossos recursos naturais, transformando essa nossa vantagem comparativa em vantagem competitiva”, afirma. De acordo com Ana, essa conscientização já chegou ao setor privado, principalmente nas áreas de Inovação e Sustentabilidade.
Mudança do clima ficou em segundo plano
- O lugar do clima na geopolítica. A crise climática não é abstrata, mas uma realidade — que vai piorar e que deve ser encarada pela sociedade, reforça Ana. Mas, no último período, é possível afirmar que a mudança do clima ficou em segundo plano nas discussões mundiais?
- Debate político mudou de foco. Ainda que o tema permaneça em alta nas empresas e na economia, Ana afirma que a sensação é que o debate político não está tratando do assunto. “As consequências do clima são reais, e, ao mesmo tempo, toda a mídia e todos os discursos políticos estão indo para um outro lugar”,critica. “Logicamente, todas as atenções, agora, estão nas guerras. Há muito barulho político acerca de muitas coisas que estão acontecendo no mundo, não tenho nenhuma dúvida.”
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