Veia empreendedora é sufocada no Brasil
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
O Brasil tem uma veia empreendedora muito grande, mas ela é bastante sufocada por vários aspectos burocráticos que dificultam tanto o planejamento de novos negócios quanto sua execução. Essa avaliação é do executivo João Miranda, CEO do grupo Votorantim, multinacional que completou 100 anos em 2018.
Falando ao cientista político Humberto Dantas em entrevista ao UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, ele explica vários dos elementos que são impeditivos a um espaço mais oportuno aos negócios. Um deles é o ambiente tributário. Para ele, as propostas de Reforma Tributária em debate podem ter um efeito positivo no contexto do relatório Doing Business, principalmente quanto à simplificação do sistema.
“O sistema tributário que temos é de uma complexidade antidemocrática, pois, além da burocracia para se criar uma companhia nova, da quantidade de leis e regulações – muitas das quais são complexas e precisam ser interpretadas para aplicação –, inibe a inovação e o empreendedorismo”, critica. Uma mudança urgente neste sentido, pontua, é reformar sem aumentar a regressividade do sistema, de modo a reduzir o peso na pirâmide social.
Ele acredita que, mesmo com todas essas barreiras burocráticas que dificultam o desenvolvimento dos negócios, as empresas podem compactuar com o desenvolvimento regional estando aliadas ao poder público ou às sociedades organizadas, ajudando, “de forma legítima e positiva”, a melhorar a capacidade da gestão pública municipal com o desenvolvimento de metas e métricas, projetos e também com acompanhamento.
Miranda comenta que uma organização “deve antecipar eventos e buscar ser sempre competitiva, tendo uma lógica empresarial que compartilha e, mais do que só cumprir as leis e regulações, se antecipa às demandas sociais, porque acha que é seu papel dar uma resposta a isso como uma empresa cidadã”.
Educação
Outro ponto que o empresário destaca é a educação como base de tudo. “A educação consegue fazer com que haja mobilidade social, com que se reduzam as desigualdades. Ela, sim, fará com que existam oportunidades para todos. Eu não conheço nada mais potente. Essa é a verdadeira ‘vara de pescar'”, diz.
Ele destaca ainda que a educação no País precisa se transformar em uma agenda de Estado e ficar menos refém de questões de governos. “Educar uma nação requer muita resiliência e consistência no tempo. Hoje, você tem como fazer boa política pública na área de educação baseada em evidência científica, pois a evidência empírica – do que funciona no mundo e no Brasil – é enorme. Tem muita coisa que comprovadamente funciona. Por que não se agarrar a essas coisas?”, conclui.
Inscreva-se no youtube.com/canalumbrasil.

ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Economia e Negócios
O Brasil e os desafios de uma Reforma Fiscal
Os professores Marcio Holland e Tathiane Piscitelli inauguram aula do curso O Futuro do Brasil em Debate: Um Olhar Interdisciplinar, promovido pela FGV Direito SP e FGV EESP, em parceria com o Canal UM BRASIL
ver em detalhes
Sociedade
80 anos de Sesc: bem-estar social como missão
Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo, rememora as origens e transformações da instituição reconhecida por seus serviços de lazer, esporte e cultura
ver em detalhes
Economia e Negócios
Por que a renda cresce, mas não chega ao bolso dos brasileiros?
Economista Ricardo Amorim analisa o passado, o presente e os possíveis caminhos futuros da economia brasileira
ver em detalhes