80 anos de Sesc: bem-estar social como missão
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Criado em 1946, quando o Brasil migrava de uma sociedade rural para uma economia urbana e industrial, o Sesc chega aos 80 anos como uma das instituições mais reconhecidas do País quando o assunto é o bem-estar social.
Ao longo dessas oito décadas, a sociedade brasileira mudou significativamente, enquanto o Sesc transformou suas prioridades. Se, no início, clínicas médicas respondiam à falta de uma estrutura pública de saúde, atualmente, a atuação concentra-se, sobretudo, na cultura, no lazer e no esporte.
É o que explica Luiz Galina, diretor regional do Sesc São Paulo, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Trabalhador como foco principal
- Rememorando as origens. Tudo começou, explica Galina, com a Carta da Paz Social, assinada em 1945, que foi base filosófica para as criações do Sesc, do Senac, do Sesi e do Senai. “Nela, os empresários concluem que precisavam assumir uma responsabilidade pelo desenvolvimento social de quem estava indo viver nas cidades naquela época”, afirma.
- Papel na Saúde. Entre as décadas de 1940 e 1950, o Sesc investiu muito em saúde. Suas primeiras unidades eram clínicas médicas e laborais, contando até mesmo com uma maternidade. “Não havia o Sistema Único de Saúde (SUS), nem essa estrutura que hoje existe de todos terem direito à assistência médica hospitalar”, justifica. “À medida que o Estado foi assumindo essa função, a escolha foi a de investir em cultura e lazer.”
- Público principal. Foi com essa trajetória que, ao longo dos anos, a instituição se consolidou mediante a contribuição para o bem-estar social de quem constrói o Brasil. “A missão do Sesc é focar na importância do trabalhador, que é a base do desenvolvimento de um país”, resume Galina. “O trabalhador precisa ter apoio, precisa ter mecanismos que lhe permitam os seus desenvolvimentos educacional, social e de saúde”, conclui.
Educação para a preservação do meio ambiente
- Os mais afetados pela crise. Para Galina, não poderia ser diferente: o tema da preservação do meio ambiente e do combate às mudanças climáticas — que atingem com mais força a população trabalhadora — tem sido cada vez mais presente nas atividades do Sesc. “Nós estamos muito focados hoje na questão da educação para a preservação e para a valorização do meio ambiente, dos recursos naturais, das florestas, dos rios, do cuidado com o lixo”, comenta.
- Educação ambiental. A programação da instituição já conta com ações voltadas para a educação ambiental e como cada cidadão pode colaborar com isso dentro de seu campo de atuação pessoal, profissional, familiar e comunitário. “Com ações simples e educativas, podemos colaborar para que essa crise que a humanidade está enfrentando hoje, relacionada ao clima, não se agrave”, conclui o diretor regional.
Sesc antenado nos novos tempos
- Educação para novas tecnologias. De acordo com Galina, a instituição está sempre atenta às grandes questões sociais e culturais do momento, como o avanço das novas tecnologias e a Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho. Por isso, o Sesc tem promovido atividades com foco na educação para esses novos tempos, “porque dominar o uso da tecnologia é tão importante quanto ser alfabetizado”, afirma.
- Letramentos digital e tecnológico. Na maior parte das unidades, há o Espaço de Tecnologia e Arte para o letramento tecnológico do público. “O Sesc promove ações nas quais as pessoas possam conhecer isso, possam discutir, possam refletir como usar melhor esses recursos”, explica. “Procuramos oferecer meios para que as pessoas tenham contato com as soluções que a tecnologia da informação traz à vida cotidiana, à arte, à música, a tudo”, completa.
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