Maturidade democrática é necessária e urgente para que haja governabilidade
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“Não há problema que o presidente faça coalizões para governar, a questão é com quem essas coalizões serão feitas”, explica o professor de Estudos Brasileiros do King’s College London, Vinicius Mariano de Carvalho. Em entrevista ao UM BRASIL, ele fala sobre o desafio de se construir uma política mais representativa, inclusive – e principalmente – no Congresso Nacional.
Na conversa com o jornalista André Rocha, Carvalho aborda também movimentos de renovação política na internet e a polarização política no mundo democrático. A entrevista faz parte de uma série gravada em fevereiro no Brazil Institute, centro de pesquisa sediado pelo King’s College London, no Reino Unido.
Veja também as outras entrevistas da série:
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“Se não pensarmos em quem são nossos representantes no Senado e do Congresso, vamos ficar reféns de grupos que estão defendendo interesses muito próprios e não pensando na Nação como um todo”, crê o professor.
“A maturidade democrática é necessária e urgente no País para que os eleitores entendam que não se vota só em presidente, mas em outros atores que são fundamentais para que haja governabilidade”, diz Carvalho. Segundo ele, esta seria a melhor forma de evitar que os políticos encontrem necessidade de criar vínculos com fins eleitorais. “Essas alianças espúrias necessariamente vão conduzir a práticas que são muito duvidosas e que conhecemos bem”, comenta.
Carvalho também ressalta a importância de compreender a pluralidade do Brasil, a fim de gerar transformações políticas com base no âmbito local. “É preciso que pensemos na complexidade brasileira e entendamos que representatividade democrática se constrói de forma diferente em cada uma das regiões, e que cada transformação deve ocorrer das regiões para a Nação”, defende.
Segundo ele, devemos nos questionar ainda se os movimentos que se manifestam puramente por meio das mídias sociais são capazes de trazer uma nova representatividade democrática para o País. “Será que esses grupos representam uma virtualidade, e não uma realidade? Quanto o eleitor brasileiro está sendo representado mesmo por esses movimentos?”, questiona.
Dessa forma, para Carvalho, seria preciso olhar para o Brasil e, das realidades regionais, pensar em modelos capazes de levar representatividade para dentro das casas administrativas e legislativas. “Precisamos de pessoas que vão pensar nessa pluralidade e nessa diferença grande que é o Brasil, para que assim se comece a construir uma voz que o represente.”
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