Economia verde pode gerar milhões de empregos no País
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- A transição ecológica, caracterizada pela mudança de um modelo econômico e produtivo baseado na exploração predatória para um sustentável focado na descarbonização, é o caminho para a resiliência econômica, afirma Patrícia Ellen, CEO da Systemiq para a América Latina e cofundadora do Instituto AYA
- Mas a geração de empregos nesse setor e o fortalecimento de uma economia mais verde só vai acontecer se o mercado de trabalho estiver preparado para as novas habilidades que esse novo momento pede, pondera Patrícia.
- Agregar valor aos grandes ativos naturais do Brasil é um dos grandes entraves econômicos atuais. Na opinião da especialista, a energia renovável deve estar no centro, como pilar estratégico. E ao redor disso, as soluções baseadas na natureza, como os minerais críticos, a biotecnologia e a agricultura.
O Brasil tem potencial de criar 28 milhões de empregos por meio da transformação ecológica até 2030, de acordo com a Plataforma da Nova Economia, desenvolvida pela consultoria Systemiq, em parceria com o Instituto AYA e o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG).
Esse número é maior do que as quase 23 milhões de pessoas que podem ter suas atividades parcial ou totalmente automatizadas pela Inteligência Artificial (IA) no mesmo período, comenta Patrícia Ellen, CEO da Systemiq para a América Latina e cofundadora do AYA, em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Para Patrícia, que também é ex-secretária de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, a comparação entre essas projeções mostra o tamanho do potencial da economia verde em um futuro próximo no qual milhões de pessoas possivelmente estarão em busca de novos postos de trabalho.
O pontapé necessário
- ‘Janela verde’ de oportunidades. A especialista explica que a transição ecológica, caracterizada pela mudança de um modelo econômico e produtivo baseado na exploração predatória para um sustentável focado na descarbonização, é o caminho para a resiliência econômica.
- Momento exige preparação. Mas a geração de empregos nesse setor e o fortalecimento de uma economia mais verde só vai acontecer se o mercado de trabalho estiver preparado para as novas habilidades que esse novo momento pede, pondera Patrícia. “Precisamos criar o maior esforço já feito de capacitação e recapacitação da mão de obra. Isso vale tanto para trabalhadores em regime CLT quanto para empreendedores”, explica.
- Vontade política é crucial. Para isso, será necessário “mais articulação política, mais investimentos e programas de capacitação — no Sistema S, no sistema público e no sistema privado —, numa velocidade sem precedentes”, completa.
Ativos naturais e complexidade econômica
- Energia limpa, florestas e pessoas. Agregar valor aos grandes ativos naturais do Brasil é um dos grandes entraves econômicos atuais. “Temos energia limpa, um país baseado em florestas e, também, nossa diversidade humana. Esses três elementos, juntos, precisam ser alavancados para que se reflitam numa economia de maior valor agregado, ou seja, maior complexidade econômica”, afirma Patrícia.
- Potencial para exportar soluções. Na opinião da especialista, a energia renovável deve estar no centro, como pilar estratégico. E ao redor disso, as soluções baseadas na natureza, como os minerais críticos, a biotecnologia e a agricultura, garantindo que os produtos brasileiros de exportação e de produção tenham maior valor agregado.
- Resiliência na prática. Patrícia cita os exemplos do café — produto que já foi um dos grandes destaques de exportação do Brasil — e do cacau, além do caso da macaúba, usada para combustível sustentável de aviação. “Isso é política de resiliência econômica, não só para o nosso país, mas para todas as nações, com a diferença que o Brasil pode exportar soluções para o mundo”, conclui.
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