UM BRASIL UM BRASIL MENU conheça o um brasil
Voltar
ANTERIOR
 
Sociedade

Da corrupção à autodepreciação: e se colocássemos o Brasil no divã?

Publicado em: 21 de agosto de 2026

ENTREVISTADOS

MEDIAÇÃO

EM POUCAS PALAVRAS...

O que você vai encontrar nesta entrevista?

  • Para Maria Homem, psicanalista, escritora e palestrante com décadas de experiência em subjetividades individuais e coletivas, o Brasil não é apenas um país com problemas, mas um sujeito com sintomas que precisam ser escutados.
  • A psicanalista analisa a oscilação brasileira entre grandiosidade e autodepreciação: um povo que sabe que tem tudo — água, petróleo, terras raras, ciência, cérebros — e ainda assim não consegue se autorizar a chegar lá.
  • Maria Homem também mergulha na relação do brasileiro com a ilegalidade — o jeitinho, a propina, a corrupção — e defende que esses fenômenos não são apenas problemas éticos ou políticos, mas sintomas de algo mais profundo: uma cultura que naturalizou o fora da lei como norma.

E se colocássemos o Brasil no divã? A pergunta não é retórica, mas o ponto de partida da conversa que o Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) — teve com Maria Homem, psicanalista, escritora e palestrante com décadas de experiência em subjetividades individuais e coletivas. 

Segundo Maria, o Brasil não é apenas um país com problemas, mas um sujeito com sintomas que precisam ser escutados. Na entrevista, a psicanalista analisa fenômenos que atravessam a Nação, como a corrupção e o flerte com as ilegalidades; a oscilação entre a grandiosidade e a autodepreciação; e a correlação entre dinheiro e felicidade. 

Brasil analisado

  • Do indivíduo à coletividade. A psicanálise é classicamente conhecida pela escuta das subjetividades individuais. “O divã e uma pessoa realizando o seu autoconhecimento”, explica Maria Homem. “Mas existem subjetividades coletivas: irmãos, casais, famílias, além das subjetividades institucionais e organizacionais”, pondera. 
  • Nação no divã. De acordo com a psicanalista, uma organização — ou, em maior escala, um país — também apresenta sintomas, padrões de repetição, mitos de origem e fantasias. “Há equívocos que se repetem, tem sua força, sua potência, pulsão de vida e de morte”, completa. Nesse sentido, ela sugere: “E o ‘sujeito Brasil’? Vamos colocá-lo em nosso divã”.

A bipolaridade brasileira 

  • Onde foi que erramos? Água, petróleo, terras raras, ciência de ponta, cérebros, florestas, o Brasil tem tudo isso. E, ainda assim, não consegue se desenvolver e segue se perguntando por que ainda não “chegou lá”. Para Maria Homem, a oscilação entre grandiosidade e autodepreciação revela algo profundo sobre a identidade brasileira.
  • Entre a grandiosidade e a autodepreciação. “Oscilamos entre uma imagem de si mesmo como incrível, um país do futuro, uma potência maravilhosa, e, ao mesmo tempo, uma imagem de que não dá — muito atrasado, muito corrupto, crime, facção, o atraso”, observa a psicanalista.
  • Sintomas atravessam o futebol. A Copa do Mundo foi um espelho dessa espécie de bipolaridade. “Ou a gente chegaria ao hexa, ou a gente não passaria nem dos primeiros jogos porque dissemos que ‘esse time não dá mais’. A gente nunca pode. A gente não se autoriza”, conclui.

Jeitinho brasileiro

  • Corrupção é cultural. Da trapaça à propina, da emenda comprada ao jeitinho de fazer as coisas darem certo para nós mesmos. Maria destaca que a relação do brasileiro com a ilegalidade vai além de casos isolados de corrupção. Trata-se de um sintoma cultural enraizado no País. 
  • Tudo dentro da ilegalidade. “É como se estar dentro do ilegal fosse a nossa norma. A nossa lei é o fora da lei”, resume a psicanalista. O diagnóstico é preocupante e traz consequências práticas. “Quando a nossa lei é o fora da lei, como vamos ter futuro? Como vamos ter projeto? Como vamos atrair investimento do mundo para funcionar aqui com alguma estabilidade e sentido de futuro?”, questiona.

Subjetividades do dinheiro 

  • Dinheiro traz felicidade? Maria Homem acredita que, até certo ponto, sim. A psicanalista afirma que a relação entre riqueza e bem-estar é real na base, mas se inverte no topo. “Se você tem meio dólar por dia, você não come, não mora, não está feliz. Então, há uma correlação entre dinheiro e felicidade. Existe. Até um certo ponto”, ressalta.
  • Poder e paranoia. A partir de um determinado nível de acumulação, porém, o quadro muda: quem tem muito dinheiro passa a desconfiar de todos ao redor. “Você já não tem amigo, vai ser traído, vão chegar perto de você para extorqui-lo, mentir. E você fica numa paranoia”, observa. Para ela, esse é o ponto nevrálgico da questão: repensar a nossa conexão com o valor que atribuímos ao dinheiro.

ENTREVISTADOS

CONTEÚDOS RELACIONADOS

Sociedade

Da corrupção à autodepreciação: e se colocássemos o Brasil no divã?

Psicanalista Maria Homem analisa as subjetividades coletivas de uma nação marcada por contradições sociais, culturais e econômicas

ver em detalhes
Economia e Negócios

Relações comerciais brasileiras não devem ser guiadas por questões ideológicas 

O professor Lucas de Souza defende que tradição diplomática deixa o País em posição vantajosa em meio à escalada das tensões comerciais no mundo

ver em detalhes
Economia e Negócios

Juros altos aprofundam a desigualdade social no Brasil

Luís Eduardo Assis, presidente da Fator Seguradora, fala sobre os custos sociais da conjuntura econômica e os caminhos para o ajuste fiscal no País

ver em detalhes

Quer mais embasamento nas suas discussões? Siga, compartilhe nossos cortes e participe do debate!

Acompanhe nossos posts no LinkedIn e fique por dentro
das ideias que estão moldando o debate público.