Baixa produtividade é responsável pelo subdesenvolvimento brasileiro
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
Do ponto de vista econômico, a baixa produtividade do trabalhador é o maior problema nacional e a razão do nosso subdesenvolvimento, na visão do economista Samuel Pessôa. Há, por um lado, o aspecto envolvendo a qualificação e o preparo do trabalhador para lidar com os desafios do mundo do trabalho e as exigências inerentes. Contudo, há uma problemática mais enraizada no que se conhece como “custo Brasil”: a qualidade dos nossos marcos legais e institucionais.
“Temos uma legislação tributária muito complexa que gera um litígio enorme e que demanda um número exorbitante de contadores para que as empresas paguem as obrigações. Gastamos muito dinheiro resolvendo litígios nas esferas administrativa e judicial, fora o que já foi gasto para processar o pagamento de impostos. Isso ‘desvia’ recursos da atividade de inovação tecnológica, de melhora do produto, e, então, a produtividade cai. E isso vale para diversas atividades; há muitas coisas que fazemos porque a regulação é ruim”, argumenta Pessôa.
Esse é um dos temas abordados na entrevista ao Canal UM BRASIL — realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) — em parceria com a revista Exame, para a série Brasil com S. No bate-papo, o economista traça um panorama do estado atual da economia brasileira dos pontos de vista fiscal, bem como das reformas estruturais que já avançaram e cujos frutos estão sendo colhidos, além do avanço da modernização estatal.
Pessôa ainda analisa o ambiente macroeconômico de duas formas díspares: por um lado, a questão fiscal ainda representa um risco estrutural ao País, considerando que as contas públicas estão desequilibradas. Por outro, o ambiente econômico está mais promissor em razão da baixa inflação dos alimentos, do robusto superávit na conta comercial e do pequeno aumento na taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial.
“Quando se olha o ‘pacote Brasil’, estamos melhores. Isso gera um fôlego para que a gente resolva nossas ‘pendengas’ internas. O presidente Lula consegue navegar no terceiro mandato com alguma tranquilidade. Contudo, é evidente que o desequilíbrio fiscal aumentará. O próximo presidente — que, inclusive, pode ser o Lula — terá de lidar com uma dívida pública em 10 ou 12 pontos porcentuais acima do que ele ‘herdou’ de Bolsonaro”, adverte.
Já quanto ao que deve ser a próxima grande modernização a avançar no País, a Reforma Administrativa, Pessôa lembra que a Constituição já tem todos os elementos para que seja levada adiante, sem necessidade de que crie uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para isso.
“O que precisamos, então, é pegar ponto a ponto e ver o que não está funcionando. E, talvez, evitar as grandes lutas, tal como o fim da estabilidade, que possivelmente nem seja tão importante. A questão dos supersalários, por sua vez, é uma das brigas que precisamos enfrentar, assim como melhorar o concurso público para selecionar os melhores servidores, não os melhores concurseiros”, conclui.

ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Economia e Negócios
Brasil precisa se conscientizar sobre a necessidade de reformas para destravar a economia
Gesner Oliveira, professor na FGV, ressalta a importância de modernizar o Estado brasileiro, garantir segurança jurídica e desenvolver um ‘sistema tributário racional’
ver em detalhes
Internacional
Crise institucional leva ao surgimento de líderes autoritários ao redor do mundo
Germano de Almeida, analista de política internacional, reflete sobre os rumos de uma nova ordem global
ver em detalhes
Internacional
Formação política é fundamental para renovar a democracia
Na série ‘Diálogos Presidenciais’, Andrés Pastrana, ex-presidente da Colômbia, compartilha memórias e reflexões de quem já viveu o poder
ver em detalhes