Ataque à imprensa é tentativa de acabar com jornalismo crítico
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MEDIAÇÃO
O jornalismo enfrenta nos últimos anos ataques diários por exercer seu papel em meio ao cenário de polarização política brasileira. Nesse ambiente, as fake news são atribuídas aos profissionais da área como uma forma de desacreditar o trabalho dos meios de comunicação. O assunto foi tema central do debate do UM BRASIL com os jornalistas Thais Herédia, Mílton Jung e Jaime Spitzcovsky. A gravação contou com o apoio da FecomercioSP e foi feita durante o coquetel de lançamento do evento “BRASA em Casa: o Brasil no divã”.
No debate mediado por Renato Galeno, o colunista da Folha de S.Paulo, Jaime Spitzcovsky, atribui as agressões a atuação das forças políticas populistas de esquerda e de direita que não têm o interesse em um debate saudável entre visões diferentes. “Ambos eliminam a ideia de um debate em cima dos fatos e de valores democráticos. Ficamos no meio desse tiroteio, mas se os dois lados nos veem com tamanha rejeição é porque a imprensa exerce seu papel”, afirmou.
Na visão do radialista da CBN, Mílton Jung, que tem mais de 30 anos de experiência na área, os ataques são resultado da busca por um trabalho apartidário, plural e crítico. “O trabalho do jornalista é o de abrir espaço para as diferentes vozes e, muitas vezes, não somos compreendidos por isso. Ser atacado não é exatamente uma novidade na nossa vida. O problema é que atualmente isso é feito de forma mais direta [com o auxílio da tecnologia]. Estamos expostos e apanhando em praça pública”, disse.
Para a especialista em economia Thais Herédia, a propagação de fake news é outro ponto que prejudica a atuação transparente da imprensa. Ela rebate a acusação de que jornalistas são criadores de notícias falsas e afirma que o jornalismo profissional é a maior vítima desse tipo de divulgação. “Nessa polarização tem uma nuvem prejudicando o entendimento que é o seguinte: a imprensa não cria fatos. As pessoas estão dando a nós o poder de criadores de fatos e isso a gente não faz. Os fatos acontecem e cabe ao jornalista contá-los.
“Precisamos entender que o jornalista não produz fake news porque isso é fraude. O jornalista pode errar e quando isso ocorre ele pede desculpa e enfrenta punição legal, podendo até ser demitido. Fraude é completamente diferente do erro jornalístico, mas quando o jornalista erra ele é acusado de ter publicado fake news. Quem produz notícia falsa não enfrenta punição. Então propositalmente se misturam os conceitos para confundir este cenário e desacreditar o jornalismo profissional”, explica Jung.
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