Brasil deve priorizar abertura econômica
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O Brasil poderia desempenhar futuramente um papel de defensor da ordem internacional baseada em regras, tanto sob a perspectiva econômica, no campo dos valores liberais e nas ideias de livre-comércio, mas, para tanto, teria de defender também uma série de pautas inerentes a essa ordem, como a democracia, direitos humanos, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Essa é a avaliação de Guilherme Casarões, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) nas áreas de Administração Pública, Ciência Política e Relações Internacionais.
Para ele, isso exigiria uma mudança profunda na postura do governo atual. “Se a atual gestão continuar focando em construir uma política externa muito voltada aos públicos internos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro, tendo os Estados Unidos como seu principal norte ideológico e geopolítico, ao mesmo tempo em que nega em certo sentido o que a ONU conquistou nos últimos 70 anos, isso acabará tirando o País desse protagonismo diante da defesa dessa ordem internacional”, critica.
Casarões conversou com o canal UM BRASIL, plataforma mantida pela FecomercioSP, em parceria com o InfoMoney. Falando a Jaime Spitzcovsky e Marcos Mortari, ele analisou os primeiros meses da gestão da política externa do governo de Jair Bolsonaro, os impactos futuros do acordo comercial recente entre a União Europeia e o Mercosul, como também a agenda de política ambiental do Brasil.
Na conversa, ele faz uma avaliação da agenda externa que o governo quer apresentar ao mundo a partir do realinhamento das parcerias estratégicas do Brasil. Para Casarões, as novas alianças do País estão sendo pensadas no sentido ideológico. “Estamos nos aproximando de nações como Estados Unidos, Israel, Itália, Hungria e Polônia. Esses países têm uma característica em comum: são comandados por líderes populistas, cada um à sua maneira, mas são tipos de lideranças que buscam fundir uma dimensão profundamente nacionalista com uma dimensão do sentimento religioso”, diz.
Quanto à agenda econômica oriunda do acordo entre União Europeia e Mercosul, Casarões ressalta que esse era o momento histórico para assinatura do acordo entre os blocos, pois era a última chance de isso ocorrer, devido ao problema econômico gravíssimo que ocorre na Argentina e também ao ambiente na Europa, em um momento de crise e inflexão, com um Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia – ainda não resolvido e um parlamento europeu totalmente eurocético que está para tomar posse, ressalta. “Isso poderia simplesmente inviabilizar qualquer possibilidade de conclusão desses acordos. Esse foi o primeiro grande feito do governo brasileiro até agora”, conclui.

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