“Aumentar produtividade é única maneira de alcançar países desenvolvidos”, diz José Scheinkman
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A atual crise econômica que atinge o Brasil se deve principalmente à questão fiscal. No entanto, a baixa produtividade é um agravante, além de ser um problema de longo prazo que o País ainda não resolveu. Essa é a opinião de José Alexandre Scheinkman, professor de Economia da Universidade de Columbia e professor emérito da Universidade de Princeton.
Em entrevista ao UM BRASIL, em parceria com a Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, braço da Universidade de Columbia, Scheinkman diz que os países que mais cresceram nas últimas décadas são aqueles que tiveram ganhos de produtividade acima dos Estados Unidos.
“Se você olhar desde o começo da década de 1980, você nota os países que são sucessos em crescimento, as Coreias, Taiwan, Singapura, China, Índia hoje em dia. O que eles fizeram? A produtividade total de fatores está crescendo mais rapidamente do que a americana. E isso é lógico. A única maneira que você vai alcançar os países mais avançados é você melhorar a sua produtividade mais rapidamente do que eles estão aumentando também”, diz o professor de Economia.
De acordo com ele, o Brasil segue na contramão, por isso não conseguiu se desenvolver no mesmo ritmo que a Coreia do Sul, por exemplo. “Nossa produtividade cresceu menos do que a americana. Se tomarmos os Estados Unidos como padrão, nós fazemos ainda menos do que fazíamos antes com os mesmos insumos”, afirma Scheinkman. O professor da Universidade de Columbia diz que, diferentemente da indústria, a agricultura brasileira teve ganhos de produtividade intensos. Contudo, a política adotada pelo Estado brasileiro para proteger o setor industrial não foi a mesma do ramo agrícola.
“As pessoas no Brasil esquecem das lições. A política industrial tentada no governo Dilma foi uma cópia da tentada pelos militares, e não tinha funcionado aquela vez também.”
Para Scheinkman, o limite para os gastos públicos deve fazer gestores públicos e parlamentares repensarem o modo como conduzem a economia do País. Ele também espera que o governo adote uma postura diferente e que isso influencie o comportamento dos empresários.
“É o Estado que tem que dizer para o empresário que não tem mais dinheiro no BNDES, porque, se você der o dinheiro do BNDES, o empresário vai querer. Gostaria que o Estado dissesse: ‘Não tem mais esse tipo de subsídio no BNDES. Se você quiser dinheiro do BNDES, vai ter que pagar as taxas normais ou demonstrar que o seu retorno social é maior do que o seu retorno privado’.
A entrevista integra a série que discute estratégias para o crescimento e o papel do Estado na economia, gravada em São Paulo e no Rio de Janeiro, em dezembro de 2016.
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