“Saúde precisa de apoio intersetorial para funcionar”, diz Nacime Mansur
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Apesar de o sistema de saúde ser entendido como um reflexo de como uma sociedade é constituída, em função do nível de educação, saneamento básico e infraestrutura, as políticas dialogam pouco entre si para criar um mecanismo que funcione, avalia Nacime Mansur, superintendente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.
Em entrevista ao UM BRASIL, Mansur diz que as condições que vivemos em sociedade repercutem dentro do sistema de saúde. Por isso, temos longas filas de espera e atendimentos de má qualidade. “Todo o movimento aponta a necessidade de entender a saúde por esse mecanismo intersetorial. Não dá para entender saúde de forma isolada, ou sendo feita pelo médico, pelo prescritor ou profissional de saúde. É um conceito mais amplo que envolve desde o próprio indivíduo até a sociedade como um todo”, afirma o superintendente da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina.
De acordo com ele, para o Sistema Único de Saúde (SUS) realizar todas as tarefas que se compromete a fazer no País, sendo responsável pelo atendimento de cerca de 75% da população, precisa de mais recursos do que os disponíveis atualmente, além de uma mudança de gestão e foco em redes mais eficientes. “Falta dinheiro. Frente a essa crise econômica, moral e ética, não é possível dizer que só falta saúde [para o sistema funcionar]. Com os juros que pagamos e o comprometimento de quase 5% do PIB [Produto Interno Bruto] com serviço da dívida [pública], é pouco provável que sobre recurso. Continuaremos lutando pelo recurso”, diz Mansur.
Por outro lado, ele também fala que o Brasil não sofre da falta de médicos, mas precisa distribuir os profissionais por todo o território nacional. “Não acredito que faltem médicos. Faltam em alguns lugares, que é a questão da distribuição que não é só de médicos. Em lugares ermos, mais distantes, faltam médicos, jornalistas, advogados”, avalia.
Na entrevista, Mansur também comenta como tornar o sistema de saúde mais eficiente e sobre a cultura do brasileiro de ir ao médico para resolver casos simples.
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