Refém do clima, Brasil precisa de matriz energética mais diversa
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O Brasil tem evitado crises de falta de energia, como o racionamento dos anos 2001 e 2002, porque a economia, desde a última década, cresce pouco. Além disso, a convivência com o medo da escassez ocorre porque o País optou por manter uma “matriz energética muito refém do clima”, negligenciando diversas fontes de energia, indica o sócio-fundador e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires.
Em entrevista ao canal UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, Pires afirma que o País “vive de sobressaltos e pesadelos” em relação à energia porque “o setor elétrico sempre se achou ‘dono’ da água”. Com isso, hoje em dia, mais de 70% da energia disponibilizada em território nacional são produzidos por usinas hidrelétricas.
“Esta matriz energética tem pouca confiabilidade. Precisamos construir uma matriz mais diversificada e equilibrada. O que quero dizer com isso? Uma matriz que produza energia térmica de gás natural, nuclear e renováveis”, explica Pires. “Esse é o dever de casa que temos de fazer, mas temos deixado na mão de São Pedro”, complementa, referindo-se ao santo católico relacionado às chuvas.
O economista, cuja carreira inclui atuação na Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), pontua que “o mundo caminha para um processo de eletrificação”, tendo em vista a potencial substituição da energia fóssil pela elétrica com o advento de carros e outros equipamentos movidos a eletricidade.
Sendo assim, alerta que “a oferta de água e de energia vai crescer a taxas menores do que a demanda”.
“Há uma premissa errada no Brasil de achar que a água é a fonte de energia mais barata. Ela não é e, cada vez mais, será a mais cara. Por quê? Porque a água tem uso múltiplo. Então, precisamos entender que o setor elétrico não é o ‘dono’ da água”, reforça.
Neste sentido, Pires acrescenta que “ficamos meio reféns de um certo populismo ambiental”, pois “os ambientalistas fizeram um trabalho de lobby muito forte e demonizaram a energia térmica”, o que prejudica a diversificação energética.
“Não podemos demonizar a térmica. Temos de demonizar a térmica a óleo diesel, que é muito cara e poluente”, salienta.
Apesar do receio de falta de eletricidade, Pires argumenta que o Brasil ainda pode se valer de uma variedade de fontes de energia. Inclusive, ele destaca que, enquanto o século 19 foi movido a carvão mineral, e o 20, a petróleo, o 21 será marcado pela diversificação.
“No século 21, acho que não teremos mais uma espécie de energia monopolista no mundo, mas uma regionalização. Cada região do mundo vai usar a sua vantagem comparativa. Neste sentido, o Brasil tem uma vantagem gigante, porque tem muita diversidade de fontes de energia – e fontes limpas. Vamos continuar tendo uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo”, sugere o diretor do CBIE.
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