Quais decisões o Brasil precisa tomar hoje para transformar o futuro?
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O Brasil reúne recursos naturais, energia, biodiversidade, capacidade agrícola e conhecimento tecnológico que podem colocá-lo em posição privilegiada frente às transformações da economia mundial. A questão, porém, é transformar esse potencial em poder, com estratégia, coordenação e capacidade de articulação entre governo, empresas e sociedade.
Essa foi uma das principais conclusões do evento De Potencial a Poder: o que Precisa Mudar para que o Brasil Mude, promovido pela Meridiana — organização brasileira voltada para a produção de políticas públicas no desenvolvimento econômico de baixo carbono no Brasil —, com apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por meio do Canal UM BRASIL e da Revista Problemas Brasileiros (PB).
O primeiro painel, “Riscos e oportunidades para o Brasil”, que reuniu Mônica Sodré, CEO da Meridiana; Ana Paula Vescovi, ex-diretora de Macroeconomia do Santander e ex-secretária executiva do Ministério da Fazenda; Fabiana D’Atri, economista sênior no Bradesco Asset Management; e Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, senior fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e conselheira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), as especialistas se debruçaram sobre a seguinte questão: quais decisões o País precisa tomar hoje para transformar o futuro?
Da Amazônia em pé à agricultura
- Tudo passa pela floresta. A segurança climática do mundo está diretamente ligada à Amazônia e por seus recursos naturais explorados de maneira mais justa e tecnologicamente mais sustentável, afirmou Izabella. O Brasil possui grandes reservas de recursos naturais estratégicos e não há nenhuma solução climática, tecnológica ou de defesa sem o uso de recursos naturais e minerais críticos.
- O que falta para chegar lá? “Temos o potencial para suprir, mas não temos ainda o poder efetivo sobre isso, porque não temos capacidades instaladas, desenvolvidas, coordenadas e consolidadas, das políticas públicas ao mercado”, explicou a ex-ministra.
- O potencial do agro. Seguranças energética, alimentar e industrial, a discussão sobre natureza, clima e recursos hídricos, tudo isso passa pela agricultura brasileira, tamanha a sua importância. Há, também, o capital natural: o País tem 260 milhões de hectares de florestas públicas preservadas no Brasil — mais de 230 delas preservadas em área privada, ressaltou Izabella.
- Além do senso comum. “Ninguém se dá conta disso. Todo mundo prefere acusar o agricultor de desmatador, só que quem desmata é o criminoso, não é o agricultor. Há uma leitura da sociedade, de quem comanda muitas das agendas, completamente equivocada dessa trajetória de convergência de propósito”, afirmou.
- Por outro lado. A especialista adverte, porém, que o País precisa de uma regulação para inserir a agricultura na transição ecológica. “Quantos da agricultura de fato entendem as ambições climáticas do Brasil? Quantos dialogam, de fato, com a segurança energética e a segurança alimentar? Como é que uma nação pode andar junto se você pactua com os agentes econômicos e os agentes de transformação?”, questionou.
Potenciais da política nacional de data centers
- Energia e novas tecnologias. O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) é uma chance de o Brasil atrair investimento tecnológico aliado à abundância energética que a Nação já tem, um caminho para criar demanda a uma oferta que já existe, disse Ana Paula.
- Nossos problemas, nossas soluções. “Se o País tiver estratégia, também vamos conseguir conectar isso a uma outra vantagem competitiva, ou comparativa, de muito mais valor: a capacidade de seguir na ‘franja’ desse processo da Inteligência Artificial, customizando linguagens, modelos para os nossos problemas, para as nossas soluções”, destacou.
- Inovação a serviço do Brasil. Ana Paula refere-se à aplicabilidade das novas tecnologias ao mercado financeiro, à política pública, à Saúde e à Educação. “Imagina poder criar modelos de dados interoperáveis dentro dessa imensa oferta e disponibilidade de dados de cadastros administrativos públicos que a gente tem no Brasil”, completou.
Transformações no contexto geopolítico internacional
- Mundo menos cooperativo. As participantes abordaram, ainda, a mudança profunda no ambiente internacional, marcado por guerras, disputas comerciais, competição por recursos estratégicos, reposicionamento de grandes potências e maior peso da geoeconomia. Segundo Mônica, CEO da Meridiana, o mundo caminha para um ambiente “menos cooperativo e mais competitivo”, no qual a segurança tende a se sobrepor à eficiência na definição dos fluxos de capitais e das relações econômicas.
- Falta estratégia e direcionamento. A economista Fabiana, do Bradesco, chamou a atenção para a necessidade de o Brasil deixar de ser apenas tomador das tendências internacionais e buscar um papel mais direcionador. “Falta agregar estratégia, posicionamento, parcerias e diversificação e não ser tomador do mercado”, afirmou.
- Relação do Brasil com o mundo. Izabella avaliou que o País precisa mudar a maneira como se posiciona internacionalmente e compreender melhor o que o mundo quer e o que a Nação pode oferecer. “A diplomacia não é mais uma questão do Estado. O empresário será um diplomata e terá que negociar, sim, os seus interesses”, ressalta.
- A saída pelo diálogo. A economista Ana Paula, ao tratar das relações com a China, enfatizou justamente a importância das pontes construídas pelo setor privado e da diversificação de riscos e oportunidades. Ela acredita que muitas soluções surgem das empresas que buscam diálogo, cooperação e novas formas de conexão com mercados internacionais.
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