Instituições democráticas estão em degradação no Brasil?
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
As instituições democráticas foram bem desenhadas e estiveram funcionando até o passado recente, respondendo bem a todas as dúvidas envolvendo ajuste fiscal e negociações entre as próprias instituições. Contudo, atualmente, elas se encontram em estado de degradação, em meio a um desajuste interno, pondera a cientista política e pesquisadora na Universidade de Tours (França), Bárbara Dias.
Bárbara participa de um debate do UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, junto de Helga Almeida, também cientista política e professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf).
A gravação foi feita em parceria com a revista Problemas Brasileiros (PB), publicação bimestral e também realização da FecomercioSP. A mediação do debate foi comandada pelo jornalista e editor da publicação, Lucas Mota. Ambas as entrevistadas integram o grupo de especialistas que escrevem às quartas-feiras na coluna “Ciência Política” do site da PB.
Segundo Bárbara, a legislatura de 2018 tem um caráter conservador muito acentuado, mas, mesmo assim, o Executivo faz um discurso antissistema em relação ao Congresso, casa que tem grande semelhança com o próprio discurso do governo. “A sensação que se tem é de um Executivo que alimenta a sua base com esse discurso antissistema para nutrir o símbolo da negação do pacto [social em prol da democracia].”
Ela reitera que diversos discursos – sobre excesso de direitos na Constituição, uma corrupção política resultado de uma corrupção moral anterior e problemas econômicos decorrerem diretamente da corrupção – desembocam no bolsonarismo, “que se apresenta como a antipolítica”, afirma. “Não é apenas conflito. É um discurso antidemocrático, como se a democracia em si fosse corrupta”, reforça Bárbara.
Helga ressalta que tais discursos contra sistema, mídia e Judiciário geram rupturas e acentuam a desconfiança já existente em relação à democracia.
Por um lado, lembra ela, parte dessa desconfiança se explica pela distância entre os representantes e a sociedade. “Esse distanciamento acaba gerando apenas uma democracia eleitoral, somente no momento do voto. As pessoas se sentem apartadas do sistema, como se os poderes fossem caixas-pretas, as quais ninguém sabe o que acontece lá dentro”.
Por outro lado, diz, o discurso antissistema faz com que muita gente entenda que é melhor que não exista esse sistema todo. “Isso faz com que a gente desconfie das instituições que funcionam muito bem, como a urna eletrônica, ou até mesmo dos políticos que realmente trabalham muito e são bons representantes”, pontua Helga.
Assista na íntegra! Inscreva-se no canal UM BRASIL.
ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Internacional
Crise institucional leva ao surgimento de líderes autoritários ao redor do mundo
Germano de Almeida, analista de política internacional, reflete sobre os rumos de uma nova ordem global
ver em detalhes
Internacional
Formação política é fundamental para renovar a democracia
Na série ‘Diálogos Presidenciais’, Andrés Pastrana, ex-presidente da Colômbia, compartilha memórias e reflexões de quem já viveu o poder
ver em detalhes
Economia e Negócios
Os obstáculos e as possibilidades dos brasileiros em Portugal
Para Fernando Senise, sócio-executivo do escritório de advocacia Brasil Salomão, o país europeu é destino natural de quem procura a internacionalização
ver em detalhes