“Empresário brasileiro ainda copia muito de fora”, diz Oskar Metsavaht
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Embora reconhecida mundo afora, a cultura das empresas brasileiras ainda não conseguiu se estabilizar nos negócios internacionais. De acordo com Oskar Metsavaht, empresário, artista plástico e diretor de criação e estilo da Osklen, falta ao Brasil um projeto de Estado que propicie a propagação dos valores do País e incentive os empresários a ampliarem o alcance da cultura nacional por meio da oferta de bens e serviços.
Em entrevista ao UM BRASIL, Metsavaht diz que os empresários brasileiros ainda copiam demais o que é feito nos grandes centros econômicos do mundo. “O nosso empresário ainda é muito inseguro das nossas qualidades e copia muito de fora”, diz o artista plástico.
“A pesquisa do empresário é ir para a Europa, Estados Unidos ou Ásia e copiar as práticas, marcas ou elementos culturais e de estilo desses lugares” em detrimento dos próprios valores brasileiros, completa. Segundo o diretor da Osklen, o mundo reconhece os valores e a cultura brasileira e, por isso, os cidadãos do País costumam ser bem recebidos em qualquer outra nação. Contudo, o Brasil carece de um projeto que torne esses valores intangíveis em algo que possa ser mensurável e trazer retorno, quase como um selo brasileiro de qualidade.
“Acho que temos que ter um projeto de Estado que identifique quais são esses nossos valores intangíveis e saber onde nós temos a capacidade de prosperar e de que forma podemos tangibilizar esses valores. Como disse, a Europa soube fazer isso. Hoje em dia, se consome o luxo europeu – gastronômico, cosmético, de moda, automóveis. Nós admiramos tudo isso”, diz Metsavaht. O empresário explica que, para ganhar mercado expondo os valores brasileiros, o País precisa aliar sua cultura à sua produção, criando um projeto de branding brasileiro.
“Nós não temos projeto nenhum. Temos projetos internos que variam de acordo com seus governos e seus momentos político-econômicos”, afirma. Metsavaht também diz que, atualmente, o Brasil vive um momento em que é difícil chegar a um consenso sobre o País que queremos em função da polarização social. “Essa polarização que vivemos hoje é muito prejudicial. A pior coisa disso tudo é o seguinte: estamos perdendo os nossos filhos. Nossos filhos querem morar fora do Brasil”, explica.
“O pior de tudo é que estamos em um período muito vulnerável e que pode acabar com uma das coisas mais ricas que nós temos, que é o espírito de nação. A chance, se continuar nessa polarização, de destruir nosso espírito de nação não é uma coisa que vai levar 20 ou 30 anos para recuperar economicamente. É uma coisa que leva 100 anos ou mais para recuperar”, ressalta o diretor da Osklen.
A entrevista faz parte da série “Diálogos que Conectam”, realizada pelo UM BRASIL em parceria com a Brazil Conference – evento realizado anualmente por alunos brasileiros da Harvard University e do Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.
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