Crise do clima aproxima sociedade da questão ambiental
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As consequências das mudanças climáticas começam a ficar evidentes, e isso traz à tona o debate em torno da sustentabilidade e fomenta a busca de soluções para os problemas causados pelo aumento da temperatura do planeta. Essa foi a conclusão da primeira aula do curso de extensão UM BRASIL Sustentável: visões, desafios e direções, desenvolvido pelo canal em parceria com a Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS) e o Programa de Mestrado em Análise Ambiental Integrada, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
“A crise climática talvez seja aquela que, pela primeira vez, vai permitir uma massificação da sustentabilidade, porque, até então, as pessoas estavam distantes das questões ambientais. Temos de lidar com os limites do planeta e ajustar a nossa economia e modo de vida. Estamos tratando de uma questão estrutural da sociedade contemporânea, e apenas mudanças de comportamento poderão trazer soluções de longo prazo para uma crise tão dramática como essa“, destaca o vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto Democracia e Desenvolvimento, João Paulo Capobianco.
O fundador e diretor-executivo do Instituto Escolhas, Sergio Leitão, também participou da conversa, que teve como mediador o coordenador pedagógico do curso e professor do curso de Ciências Ambientais da UNIFESP, Dr. Zysman Neiman.
Para Leitão, é difícil acabar com o desmatamento porque essa “indústria” movimenta altas quantias e desperta o interesse de inúmeros grupos. “Tem muita gente que ganha com o desmatamento, principalmente na área Amazônica. É possível pedir a legalização do espaço desmatado, convertendo uma área pública em domínio privado”, explica.
Capobianco também aponta a falta de ações do Poder Público como um dos motores desse problema. “Sem governos federal e estadual alinhados nessa perspectiva, fazendo com que a legislação seja observada e cumprida, há um estímulo para a criação desse tipo de grupo ao atrair outros players. Cria-se, então, um processo de difícil controle”, afirma.
Leitão rebate o senso comum de que é necessário desmatar para aumentar a produtividade e a riqueza do País. Ele cita o estudo “Qual o impacto de zerar o desmatamento no Brasil”, do Instituto Escolhas, que mostra ser possível aumentar a produtividade nos hectares já abertos no País para agricultura e pastagens sem precisar expandir mais a fronteira agrícola. A análise ainda prova que zerar o desmatamento não geraria grandes impactos no produto interno bruto (PIB) brasileiro.
“A gente pode mudar a maneira como o País vem se organizando do ponto de vista econômico, conciliando aquilo que parecia impossível: produção com respeito ao meio ambiente com proteção das florestas no Brasil.”
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