Educação básica é garlalo que trava o desenvolvimento do País
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EM POUCAS PALAVRAS...
O que você vai encontrar nesta entrevista?
- Para além dos gargalos na educação básica, Anderson Correia defende que um dos grandes problemas do ensino brasileiro é a falta de gestão.
- Outra velha conhecida da educação brasileira é a “fuga” de talentos. De acordo com o especialista, o País tem vários engenheiros de destaque alocados como CEOs em empresas nos Estados Unidos e na Ásia.
- Sobre os caminhos que o Brasil deve seguir na educação, Correia afirma que é preciso ter em mente que toda pesquisa que gera resultado para a sociedade tem como tripé as participações do governo, da academia e da indústria.
De acordo com Anderson Correia, ex-reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e ex-presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), para multiplicar a formação de profissionais qualificados no País, não basta apenas investir em educação superior.
É preciso resolver o gargalo da educação básica, defende o especialista, em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
“Se a gente não der um passo atrás, não olhar para a base, vai faltar demanda. Já está faltando. Hoje, você vê boas universidades brasileiras com menos candidatos do que vagas. E bastante”, lembra Correia.
Ele cita a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que, recentemente, teve cursos de Engenharia com 0,4 candidato por vaga, além de evasão alta. “Entram 100 alunos num curso de Engenharia, saem 30”, completa.
Falta gestão à educação brasileira
- Má gestão. Para além dos gargalos na educação básica, Correia defende que um dos grandes problemas do ensino brasileiro é a falta de gestão. Em outras palavras, além de direcionar investimentos, é preciso agir de maneira eficiente e planejada.
- Caso asinático. Correia cita como exemplo os países asiáticos, que passaram a se destacar na área no fim do século passado. “A maioria de quem viveu na China nos anos 1950, 1960 e 1970 era analfabeta. Mesma coisa na Coreia do Sul. Em 1970, todo mundo era analfabeto”, comenta.
- Mais que investir. O especialista lembra que a transição de países pobres para potências ricas não veio de uma hora para hora. Essas nações foram, impulsionadas justamente pela transformação na forma de gerir a educação. “Não foi com rios de dinheiro que fizeram a mudança. Eles investiram muito menos dinheiro do que o Brasil tem hoje”, compara.
Brasil forma talentos para exportação
- País é pouco atrativo. Outra velha conhecida da educação brasileira é a “fuga” de talentos. De acordo com o especialista, o País tem vários engenheiros de destaque alocados como CEOs em empresas nos Estados Unidos e na Ásia. “O Brasil consegue formar grandes talentos. O problema é que eles não conseguem desenvolver todo o seu potencial aqui”, explica.
- Brasil forma, mas não emprega. “Na Qualcomm, por exemplo, que é uma grande empresa de tecnologia norte-americana, o CEO é formado em Engenharia pela Unicamp. Isto é, a nossa formação está sendo útil lá fora”, observa.
- Oportunidades escassas. O problema, de acordo com Correia, é que o País não consegue que, em grande escala, essas pessoas empreendam e desenvolvam “impérios de tecnologia”. “O profissional consegue fazer no exterior. Mas aqui ele não tem a mesma facilidade”, conclui.
Centros de pesquisa dependem de ‘hélice tríplice’
- Governo, academia e indústria. Sobre os caminhos que o Brasil deve seguir na educação, Correia afirma que é preciso ter em mente que toda pesquisa que gera resultado para a sociedade tem como tripé as participações do governo, da academia e da indústria.
- Investimento transversal. “Essas três coisas precisam estar em qualquer investimento. Se você injetar bilhões [em uma área] e não tiver a indústria junto, acabou. E quando falo ‘indústria’, me refiro não só à de manufatura, mas à de serviços e à área do comércio”, explica.
- Educação que transborda. De acordo com Correia, se a educação acadêmica estiver voltada apenas para dentro, vai gerar papers, bons prêmios e rankings internacionais, mas não transbordará para fora da universidade. É preciso que a educação ultrapasse essas paredes. E, para isso, o investimento bem distribuído é fundamental, explica.
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