Abertura econômica tem triunfado na América Latina
ENTREVISTADOS
A globalização está em risco no mundo? Como a América Latina avança rumo a mais abertura econômica de seus países? Estes foram dois dos temas analisados em debate por Rolf Lüders, economista e ex-ministro da Economia do Chile, e Roberto Salinas, presidente do Fórum Empresarial do México.
O debate foi promovido pelo Canal UM BRASIL – uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) – em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (CMLE). O bate-papo foi moderado por Jaime Spitzcovsky.
Um dos pontos analisados foi modelo de livre-comércio representado pelas nações latino-americanas. Para ambos, considerando vários países que, de alguma forma, liberalizaram a economia (como Chile, Peru, Paraguai, Colômbia, Uruguai e Bolívia), é possível considerar que o liberalismo econômico é um posicionamento já aceito na região. Diante disso, a exceção se dá por meio daqueles que ainda mantenham mais amarras e protecionismo em comparação aos países vizinhos, como o Brasil. “Eu diria que, em termos de comércio, a ideia de liberalização tem triunfado bastante na América Latina”, afirma Lüders.
Já Salinas aponta como os benefícios de uma visão mais liberal na economia mudaram o ambiente de negócios na Colômbia. “Aquele país é um bom exemplo de como a abertura comercial transformou radicalmente os setores externo e empresarial. Há uma mentalidade avançada em relação à competitividade e às oportunidades que trazem o livre-comércio internacional. Hoje, vemos portos que se transformaram em verdadeiras potências logísticas”, sinaliza.
O resultado, segundo explica o presidente do Fórum Empresarial do México, é que esta mudança de visão gera mais empregos, integrando cadeias produtivas e em prosperidade inclusiva. Ele ainda reforça que todos estes fatores levam a uma economia mais diversificada e mais aberta a tratados firmados com outras nações – fatores que contribuem para o desenvolvimento.
Outro ponto avaliado na conversa é o risco de a globalização retroceder no mundo. “A impressão que tenho é que os benefícios da globalização foram de tal magnitude que dificilmente retrocederemos, pois esta resultou em milhares de pessoas saindo da pobreza – e o progresso econômico mundial tem sido impressionante. Não acredito que retrocederemos, mas a velocidade com que continuaremos abrindo ainda mais a economia internacional deve diminuir”, pondera Lüders.
Salinas enfatiza que, quando se analisam os últimos 50 anos no mundo, “não surge dúvida” de que, de fato, houve um bem-estar significativo gerado pela abertura do comércio exterior em nível global, seja pela transferência de tecnologia e benefícios da logística integrada, seja pelas economias de escala e de especialização ¬ – isto é, tudo o que o livre-comércio abrange.
“Contudo, nós, que defendemos a abertura das fronteiras econômicas, temos que ter em mente que sempre haverá interesses pessoais e narrativas políticas que se beneficiam [do discurso contrário à integração econômica internacional]. Em tempos de incerteza radical, ou em tempos de pandemia, podem surgir políticos que preconizam uma solução mágica”, alerta Salinas.
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