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Educação e Cultura

O Brasil das novas gerações

Abram Szajman
Abram Szajmanpresidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)
Publicado em: 22 de junho de 2026

Abram Szajman*

Instituições, assim como as pessoas, são definidas pela forma como respondem às transformações do seu tempo. Algumas se acomodam às circunstâncias; outras encontram na constante reinvenção a razão de sua existência.

Ao longo dos últimos quarenta anos, o Brasil passou por crises econômicas e vivenciou avanços sociais e intensos debates políticos. O cotidiano das empresas foi redesenhado por forças que poucos poderiam prever. Em muitos aspectos, o País avançou; em outros, continua emparedado por mazelas históricas. 

Em meio a essas transformações, a FecomercioSP, o Sesc-SP e o Senac-SP procuraram acompanhar e, muitas vezes, antecipar mudanças, mantendo-se fiéis à sua missão de representar, qualificar e contribuir para uma sociedade mais próspera. Às vésperas de uma transição em sua liderança, compartilho algumas reflexões sobre essa trajetória.

Dos anos 1980 aos dias de hoje, a população brasileira quase dobrou, superando os 213 milhões de habitantes. O envelhecimento se acentuou, ampliando os percalços da Previdência pública: a expectativa de vida, antes em torno de 62 a 63 anos, saltou para 76 anos. As desigualdades, infelizmente, permanecem elevadas. 

A Constituição de 1988 e a volta da eleição direta para a Presidência da República despertaram esperanças que ainda não vingaram por inteiro. A hiperinflação foi contida pelo Plano Real, ao passo que a abertura comercial inseriu nossa economia no mundo globalizado, enquanto o avanço tecnológico e a digitalização incluíram milhões de pessoas nos mercados de trabalho e de consumo. Ao mesmo tempo, a baixa produtividade, a burocracia e as sucessivas mudanças regulatórias de um Estado caro se refletiram em taxas de crescimento aquém de nossas necessidades.

Muitas conquistas, porém, foram alcançadas, e as três instituições podem se orgulhar de terem compreendido o advento da economia do conhecimento. A valorização das pequenas empresas, o permanente diálogo entre capital e trabalho e as promoções do bem-estar e da formação profissional possibilitaram adaptar os trabalhadores e as empresas a uma sociedade ávida por novidades. Muito nos orgulha ver que a expansão de nossa rede física garantiu a multiplicação do atendimento em programas de educação, saúde, alimentação, esporte, cultura, turismo, lazer e, acima de tudo, cidadania. 

Algumas das bandeiras que desfraldamos continuam na ordem do dia, como as reformas estruturais do Estado, em especial a Reforma Administrativa, crucial para destravar a lenta modernização do País. Além disso, carências históricas precisam ser combatidas, como os déficits da educação básica. 

As turbulências políticas durante os últimos dez anos desorganizaram o debate público, provocando uma constante tensão entre os Poderes, em aberto teste à solidez das instituições democráticas. É fundamental que, nas eleições deste ano, a discussão de projetos para o Brasil prevaleça sobre a polarização ideológica estéril.  

Neste momento de passar o bastão às novas lideranças empresariais forjadas na defesa da liberdade para empreender, saúdo o presidente eleito, Ivo Dall’Acqua Júnior, homem preparado e conhecedor das questões do Direito do Trabalho, da cultura e da educação profissional. À frente da presidência da FecomercioSP e dos conselhos regionais do Sesc-SP e do Senac-SP, caberá a ele liderar nossa contribuição para um Brasil desenvolvido e socialmente justo. Afinal, muito se fez, mas muito ainda há de ser feito. 

Abram Szajman é presidente da FecomercioSP e dos Conselhos Regionais do Sesc-SP e do Senac-SP

Artigo publicado originalmente no portal Poder360.

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