Combate à corrupção não pode dar passos para trás
Um dos flagelos do desenvolvimento do País, a corrupção tem sido atacada como nunca antes na história brasileira. Contudo, operações que investigam pessoas públicas, principalmente políticos, têm sido questionadas por parte da sociedade. Esse cenário não existiria, de acordo com o diretor da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), Oscar Vilhena, sem o recurso da delação premiada.
“Essa lei deu uma arma que não existia no sistema jurídico brasileiro e que, sendo bem utilizada, se torna extremamente potente”, avalia Vilhena. Segundo ele, o que também fortaleceu o combate à corrupção foram as manifestações populares e a nova geração de profissionais do Ministério Público.
“Um Ministério Público que teve uma mudança geracional, uma legislação que deu instrumentos efetivos e uma pressão popular que passou a tomar a corrupção como algo inaceitável, isso gerou o momento que estamos vivendo”, complementa.
Nesse ponto, o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, ressalta que o País não pode fraquejar diante das ameaças de esvaziar as investigações contra políticos. “Quando me perguntam sobre a perspectiva de futuro, digo que o futuro é incerto, porque tem um elemento que ninguém controla, que é como a sociedade vai se posicionar diante de tentativas de esvaziar a Lava Jato”, alerta Dallagnol.
O procurador salienta que, se o Brasil não reduzir o nível de corrupção presente na sociedade, dificilmente avançará social e economicamente.
“Todos queremos um País melhor, mas é impossível alcançarmos um País melhor sem diminuirmos os índices de corrupção. Estudos internacionais mostram que quanto maior é esse nível, menor é o índice de desenvolvimento econômico e social. E o contrário é verdadeiro: quanto menos corrupção, melhor estará desenvolvido o país social e economicamente”, afirma Dallagnol.
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