Abertura comercial é a mãe de todas as reformas
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A abertura do comércio exterior para a indústria e o setor de serviços brasileiro melhoraria a produtividade, na medida em que o País incorporasse as tecnologias estrangeiras em seus processos e produtos. Na visão do economista Edmar Bacha, a concorrência internacional, atualmente já enfrentada pelas empresas de agricultura e mineração, também traria benefícios ao aumento da produtividade.
“Nosso sistema empresarial industrial e de serviços é voltado para o mercado interno com elevada proteção contra produtos importados e, consequentemente, a introdução de novas tecnologias. Temos de fazer um processo amplo da abertura comercial e da concorrência como condições para incorporação de tecnologias sem as quais não haverá aumento de produtividade”, diz um dos formuladores do Plano Real, em entrevista ao UM BRASIL.
Bacha fala a Renato Galeno que, além de capacidade de aumentar o nível tecnológico, a abertura do comércio exterior ainda traria ganhos para as exportações, que seriam enviadas a outros países com mais componentes importados. “O que faz a diferença do ponto de vista da produtividade é a capacidade de poder importar bens de capital [como máquinas e equipamentos] e intermediários [matérias-primas], tecnologia e concorrência para aumentar a produtividade”, explica.
A única preocupação com essa abertura, segundo o economista, está em um possível déficit comercial. Portanto, o processo para a entrada das importações no Brasil deve ter como contrapartida incentivos adequados para que as exportações também cresçam e mantenham um equilíbrio.
A ampliação do comércio internacional também deixaria explícito os altos custos do sistema tributário brasileiro, composto por tarifas e impostos indiretos acumulativos que encarecem as importações, além dos preços dos produtos industriais e dos serviços comercializados em território nacional. “Com a abertura, a necessidade de implantar a Reforma Tributária ficaria extremamente clara. Por isso, digo que a abertura é a mãe de todas as reformas”, diz.
Defensor também de uma reforma em âmbito político, o economista critica o sistema brasileiro que sustenta e perpetua a troca de favores. “O nosso grande problema político é o ‘toma lá, dá cá’ – esse processo por meio do qual o Executivo só consegue extrair mudanças legislativas mediante um processo de trocas que nem sempre respeitam a ética. E isso foi o que gerou originalmente o mensalão e, depois, o petrolão, que revelaram o grau de distorção que o nosso sistema político atingiu; não só o político, mas o empresarial.”
A entrevista é resultado do evento “III Fórum: A Mudança do Papel do Estado”, uma realização UM BRASIL; Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP); Columbia Global Centers | Rio de Janeiro, braço da Universidade Columbia; Fundação Lemann; revista VOTO; e Instituto de Estudos de Política Econômica – Casa das Garças.

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