“Eleitores deveriam rejeitar qualquer tipo de corrupção”, diz Nara Pavão
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O eleitor acredita que a corrupção é um problema do sistema e, por isso, diferencia os políticos pelo que entende sobre o nível de corrupção em que o candidato está envolvido. É o que diz Nara Pavão, PhD em Ciência Política pela Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos.
Em entrevista ao UM BRASIL, realizada com o apoio do Instituto Atuação durante a 2ª Semana da Democracia, em setembro deste ano em Curitiba, Nara diz que, independentemente do que se trata, a sociedade deveria combater todo tipo de ato corrupto. “Não sei em que ponto diferenciar a corrupção ajuda em nível democrático. Alguns se envolvem em corrupção de larga escala e outros em corrupção menor. Em geral, não acho que isso seja algo positivo. Os eleitores deveriam rejeitar qualquer tipo, e a corrupção pequena também cresce”, afirma a pesquisadora com pós-doutorado no Center for the Study of Democratic Institutions na Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos.
De acordo com ela, a corrupção praticada pelo cidadão em seu dia a dia o leva a se tornar tolerante com os desvios realizados pelos políticos. Além disso, quando há a percepção de que toda a classe política, em maior ou menor grau, está envolvida com a corrupção, o eleitor tende a definir o voto segundo as suas prioridades.
“O eleitor se concentra na dimensão que ele considera mais importante. Por isso o voto econômico é muito forte. A economia mobiliza o eleitor, tanto a situação dele pessoal como a do País”, explica a cientista política. Ela também diz que a teoria democrática prevê que o político corrupto possa perder o posto que ocupa após o período de seu mandato, em função de uma nova eleição. “Em sociedades democráticas o eleitor tem a chance de jogar o lixo fora. A teoria espera que o eleitor puna esse corrupto nas urnas.”
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