“Solução para a democracia é ampliar a participação”, diz Michael Coppedge
ENTREVISTADOS
MEDIAÇÃO
A sociedade não pode deixar que a apatia política enfraqueça a democracia, pois o que conserta uma democracia ruim é uma melhor. Essa é a opinião do professor de Ciência Política na Universidade de Notre Dame, Michael Coppedge.
Em entrevista ao UM BRASIL, realizada durante a 2ª Semana da Democracia, em parceria com o Instituto Atuação, ele diz que a solução para os eleitores descontentes é continuar participando dos pleitos e que a apatia que a política causa se deve à classe política em atividade.
“A única solução é continuar participando das eleições. Continuar ‘limpando a casa’, se livrando dos políticos ruins. A participação pode evitar essa apatia. A solução para uma democracia ruim é ter uma democracia melhor ou mais ampla”, diz Coppedge.
O especialista é membro do Projeto Variedades Democráticas (Varieties of Democracy Projetc), que mede a evolução histórica e os atributos da democracia e governança em diversos países. De acordo com ele, há vários tipos de democracia e isso pode ser medido por indicadores. No entanto, essa mensuração não é tão simples em ambientes mais localizados. “Em nível subnacional, como os 50 estados americanos ou os estados brasileiros, o desafio [de medir o nível democrático] é maior, pois demanda informações difíceis de obter. A lista de especialistas confiáveis é reduzida. Quanto mais específica for a informação, mais difícil é conseguir uma boa resposta. Mas para o cenário nacional é possível e já foi feito”, afirma.
Para Coppedge, embora o voto seja usado como sinônimo de democracia em muitas partes do mundo, como no Brasil, só isso não basta para definir que uma sociedade possui ambiente favorável ao processo democrático. “No conceito de um homem, um voto é muito importante, essencial à democracia. Os postos de votação, as urnas, são o único lugar no sistema político onde todos têm o mesmo peso. Durante a votação, ricos e pobres são todos iguais. No entanto, não é o bastante. É insuficiente para se obter uma democracia de qualidade. As desigualdades atuais, mais em algumas sociedades do que em outras, interferem na qualidade política.”
Na entrevista, o professor da Universidade de Notre Dame conceitua o que são as chamadas democracia eleitoral, liberal, participativa, deliberativa e igualitária, além de comentar como as desigualdades econômicas, educacionais e sociais interferem nas eleições.
ENTREVISTADOS
CONTEÚDOS RELACIONADOS
Educação e Cultura
O futebol e as complexidades culturais do País
Apesar das crises e das derrotas, José Miguel Wisnik, professor na FFLCH-USP, acredita que a bola no pé é o ‘veneno-remédio’ do bresileiro
ver em detalhes
Economia e Negócios
O desafio de transformar gasto público em impacto social
Em debate na Semana S 2026, os economistas André Portela e Marcos Mendes analisam por que o Brasil gasta muito e avança pouco em produtividade e redução da pobreza
ver em detalhes
Economia e Negócios
Agenda ambiental exige políticas de Estado e planejamento de longo prazo
Quando se fala em transição energética e outras pautas das agendas ambiental e climática, é preciso trocar as políticas de governo pelas políticas de Estado. É o que defende a advogada Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú, em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo […]
ver em detalhes