Inovar no setor público envolve mudança de postura organizacional
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O desafio da inovação no setor público é identificar os problemas sociais e aplicar soluções tecnológicas para tornar as políticas públicas mais eficazes e eficientes. Essa avaliação está presente no debate promovido pelo UM BRASIL com os Lemann Fellows Guilherme Lichand, diretor-executivo da MGov Brasil, plataforma de avaliação de políticas públicas, e Guilherme de Almeida, diretor de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública.
Segundo Lichand, utilizar ferramentas digitais para aproximar governos da população é uma forma de tornar os processos mais eficientes, como no caso de informar agricultores sobre possíveis mudanças de clima. No entanto, o governo não pode abandonar as formas tradicionais de informação, uma vez que o alcance de dispositivos digitais pode não ser efetivo em todas as situações.
“Não existe uma tecnologia que vai chegar em todo mundo. Precisamos promover múltiplos canais. Quem quer participar on-line tem que poder, quem quiser canais analógicos tem que poder e o face a face tem que continuar existindo. O cidadão tem que participar da maneira que achar mais adequada”, afirma o diretor-executivo da MGov Brasil.
Lichand também diz que, embora o Brasil seja um país bastante heterogêneo, o nível geral dos serviços públicos é bastante semelhante em todo o território nacional. “A capacidade de execução e de entrega da política pública é muito ruim em quase todo lugar [do País]. Por isso precisamos de inovação. Isso significa pensar fora do que já está dado, que é muito ruim, para mudarmos o status quo e entregarmos qualidade para o cidadão.”
Para fortalecer a inovação na gestão pública, é preciso ocorrer uma mudança na cultura das repartições e no posicionamento organizacional dos servidores, de acordo com Almeida.
“Se não conseguirmos fazer com que uma estratégia seja de verdade algo transformador, impactante na vida das pessoas, a cultura organizacional, que tende a ser conservadora, estagnante, vai paralisar o processo. Ainda mais porque, numa lógica conservadora, inovar é ilegal”, explica o diretor de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública.
“Se você assumir que na administração pública só se pode fazer o que está permitido, aquilo que é novo, ou seja, a inovação não está prevista, logo não é permitida e, portanto, ilegal”, completa Almeida. Ainda segundo ele, a inovação está ligada tanto ao uso de tecnologias como à adequação dos recursos disponíveis.
“O desafio é de que a inovação não necessariamente depende de um alto nível de tecnologia. Depende de inteligência, alocação adequada de recursos e ferramentas, metodologias e conseguir extrair o melhor que você tem com poucos recursos.”
O debate do UM BRASIL foi promovido em parceira com o Laboratório de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (LAB FGV), entidade estudantil com foco em projetar e analisar políticas públicas e, assim, auxiliar órgãos públicos em sua gestão interna e na prestação de seus serviços.
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