Produtividade do setor de Serviços é essencial para o crescimento da economia brasileira
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O setor de Serviços é o maior empregador do Brasil, respondendo por cerca de 72% dos postos de trabalho formais. Mas se a produtividade nacional vai mal como um todo e a economia deixa de crescer como deveria, o setor terciário sente os efeitos e fica estagnado — e vice-versa.
É o que alerta Fernando de Holanda Barbosa Filho, professor de Economia no Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas Rio de Janeiro (FGV/IBRE-RJ). De acordo com o especialista, a estagnação da produtividade nos Serviços é um entrave de longo prazo para o crescimento brasileiro.
“Um crescimento astronômico da Agropecuária, por exemplo, não quer dizer que o PIB vai apresentar um crescimento alto. Por quê? Porque o peso do emprego no setor terciário da economia é o maior”, explica.
Em entrevista ao Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) —, Barbosa Filho discute as formas de promover os setores produtivos no País.
A relação entre capital e produtividade
- Trajetória conhecida. O desenvolvimento econômico segue um percurso previsível: da Agricultura para a Indústria, e da Indústria para os Serviços. Mas cada etapa tem uma relação diferente com o capital. Segundo o professor, o setor terciário carrega uma característica estrutural que o distingue dos anteriores: opera, historicamente, com menos capital.
- O que virá a seguir? De acordo com Barbosa Filho, a lógica é clara: a Agricultura se mecaniza para alimentar as cidades, a Indústria é intensiva em capital por natureza, mas os Serviços funcionam com menos. “Ao observarmos, em geral, as atividades clássicas do setor terciário, estas têm pouco capital embutido. É uma característica própria do setor”, explica. “Obviamente, agora, com a chegada da Inteligência Artificial, isso pode mudar”, pondera.
O desafios das políticas de longo prazo
- Peso político. Ganhos de produtividade costumam exigir medidas que cobrem um preço imediato — e é aí que a política emperra. “Muitas vezes, talvez, a política que vai gerar o ganho de produtividade tem um custo no curto prazo que o político não quer pagar”, afirma Barbosa Filho.
- Quem vai investir? De acordo com o professor, o desarranjo vem de longe. A crise dos anos 1980 gerou a hiperinflação, resolvida na década seguinte, quando o País parou de financiar o Estado com emissão de moeda. “Mas nunca se recuperou a capacidade do Estado brasileiro de fazer investimento”, pondera.
- E quem paga essa conta? O efeito aparece no chamado Custo Brasil, que o professor divide entre o que acontece dentro e fora da porteira. A ineficiência, diz, não está na produção, mas no escoamento. “Eu sou muito eficiente dentro da porteira, mas, na estrada, tenho que botar caminhão, e não trem. E, aí, a estrada é muito esburacada. No porto, segue, a carga não consegue ser desembaraçada, o calado é ruim e o navio espera horas ou dias no mar para atracar.
- Efeito dominó. Sem infraestrutura, a produtividade cai e a conta não se transfere automaticamente à iniciativa privada. Para Barbosa Filho, o setor privado só assume esse papel se houver um ambiente estável. “Eu não vou fazer um investimento que o retorno é de 20 ou 30 anos se não sei se o País vai estar quebrado amanhã porque o fiscal está desarrumado”, exemplifica.
O custo do futuro
- Novos tempos. A transição demográfica vai obrigar o Brasil a se reorganizar, mas essa conta ainda não entrou no debate público. “O Estado vai precisar se redesenhar. Teremos cada vez menos criança na escola e mais idosos”, afirma Barbosa Filho.
- Debate estagnado. O ponto, segue ele, é que nenhuma dessas questões está sendo abordada. “Teremos vários problemas no futuro e não discutimos nenhum deles: nem o custo fiscal, nem como é que vamos cuidar [disso], nem o que podemos fazer para trabalhar para a produtividade crescer de forma mais elevada.”
- Quem vai conduzir esse debate? Ele acredita que a ideia de que não existe “bala de prata” para a produtividade já está bem disseminada — o que falta é medida para tal. E a explicação volta ao mesmo ponto. “Político trabalha por incentivo. E o incentivo é baixo, porque o custo é alto no curto prazo e o benefício só vem no longo prazo”, adverte.
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