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Empreendedorismo e inovação no interior paulista, por Agliberto Chagas e Leandro Costa

DEBATEDORES | Agliberto Chagas Leandro Costa

“Para que o empreendedorismo aconteça, é preciso criar ambientes de confiança mútua entre os agentes e de cooperação”, explica o empresário e professor da Fatec de São José dos Campos, no interior de São Paulo, Agliberto Chagas. Em entrevista ao UM BRASIL, ao lado coordenador do Centro de Empreendedorismo da Unisal, Leandro Costa, ele fala sobre inovação com foco na realidade local.

No debate mediado por Humberto Dantas, eles discutem também oportunidades e desafios para gerar negócios distantes dos grandes centros urbanos. A conversa faz parte da série “Diálogos Regionais – Interior Paulista”, iniciativa da plataforma UM BRASIL, que discute as questões nacionais sob olhar regional.

“Onde houver um problema ou uma oportunidade, sempre existirá um empreendedor para enxergar aquilo e trazer uma melhoria. Em minha opinião, a multiplicidade de temáticas para empreender é ilimitada”, analisa Costa.

“Empreender é humano”, concorda Chagas. Para ele, existem regiões no Brasil e no mundo que passaram por uma reestruturação econômica e que se reergueram justamente usando o empreendedorismo como alavanca, com base na criação de um ambiente de confiança mútua. Segundo eles, a teoria diz que para que um negócio funcione, ele tem que ser desejável, viável e factível.

“Temos uma lógica de mercado invertida: deveríamos ver o cliente, entender o que ele tem de valor e criar um produto em cima disso”, explica Leandro Costa. Além disso, os entrevistados ressaltam que há políticas públicas de incentivo à criação de negócios no Brasil interessantes, mas ainda distantes de um cenário ideal. “Existem bons exemplos de incentivo ao empreendedorismo, mas acredito que ainda é muito destoante o pano de fundo que temos e o que o mercado precisa para se desenvolver”, afirma Costa.

Segundo eles, existem três tipos principais de empreendedor: aqueles que o fazem por necessidade, diante de uma situação econômica difícil (e, portanto, tem pouco ou nenhum tempo para se preparar); os herdeiros que, da mesma forma, às vezes não se capacitam em razão das circunstâncias; e, por fim, os empreendedores “normais”, aqueles que desenvolvem oportunidades por meio de seu preparo profissional e acadêmico.

“A educação é linha mestra de um empreendedor desenvolvedor de oportunidades. Ele tem formações de lógica, financeira, de mercado, de gestão e de cultura geral. A escola é um catalisador dessa cultura”, explica Chagas. Sobre empreendimentos que proliferam distantes de grandes centros urbanos, os entrevistados observam que há projetos de destaque.

“A zona rural é o setor que mais cresce no Brasil, já que no campo não houve descontinuidade tão grande de programas de incentivo”, afirma Chagas. “Já se faz planejamento de safra por geoprocessamento, tratamento de imagens de satélite. Acredito que hoje, no Brasil, é o setor que mais está sendo vitalizado com essa inteligência de tecnologia inovadora.”

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