Sem integração, disciplinas escolares perdem sentido
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A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), da forma como foi aprovada, permite a construção de currículos com conteúdos interligados e que se complementam? Esse foi um dos temas de debate realizado pelo UM BRASIL, uma realização da FecomercioSP, que reuniu a líder da estratégia de juventude do centro educativo Ashoka América Latina, Helena Singer, e o educador e ex-diretor da escola de ensino fundamental (EMEF) Presidente Campos Sales, Braz Nogueira.
Helena comenta que, atualmente, a BNCC é um documento muito ruim para orientar a educação brasileira, por refletir muito das mudanças de governos recentes, entre outros motivos. Quanto à integração curricular, ela diz que, apesar da importância de todas as disciplinas, a forma de se explorar o conhecimento dessas matérias deve ser integrado, ou seja, com abordagem por meio de um roteiro de aprendizagem interdisciplinar, em que as questões são organizadas do modo como são na vida.
“As questões ambientais, por exemplo, envolvem uma série de conhecimentos, tanto de ciências, de sociologia e de ética quanto de filosofia. Se são separadas nas caixinhas, conforme a grade curricular, não adianta ter disciplinas. E é isso que vivemos hoje, uma quantidade grande de matérias, mas organizadas dentro da estrutura da escola de um modo que elas acabam perdendo o significado. Para o aluno, isso se transforma em uma lista de conteúdos que ele tem de despejar em uma prova”, afirma Helena.
Já Nogueira lembra que, de acordo com as competências estabelecidas na BNCC, há escolas que estão muito além, enquanto outras estão atrasadas, então, o documento orientativo pode dar um certo rumo, mas é preciso mais. “Nós temos experiências riquíssimas e espalhadas [pelo País]. Então, se mudarmos os critérios de avaliação do Ideb [Índice de Desenvolvimento de Educação Básica], isso permitirá que essas experiências positivas que destoam do geral sejam valorizadas, dando mais força às escolas, com efeitos maiores do que os da própria BNCC”, complementa.
Esse debate faz parte da série de entrevistas sobre educação realizadas pelo UM BRASIL e exibidas com exclusividade pelo Canal Futura desde abril de 2020.
Assista na íntegra! Inscreva-se no canal UM BRASIL.
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