Os obstáculos e as possibilidades dos brasileiros em Portugal
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EM POUCAS PALAVRAS...
O que você vai encontrar nesta entrevista?
- Para Fernando Senise, sócio-executivo do escritório de advocacia Brasil Salomão, o Portugal é destino natural de quem procura a internacionalização
- De acordo com ele, o país é uma porta de entrada dos empresários para a Europa, bem como para um mercado novo e consumidor bastante relevante, com muita demanda.
- O executivo adverte que há uma série de mudanças na legislação portuguesa que merecem atenção especial dos brasileiros que pretendem construir uma nova vida ou novos negócios em terras europeias.
Portugal é um destino natural das exportações brasileiras. É o que explica Fernando Senise, sócio-executivo no escritório de advocacia Brasil Salomão, em entrevista ao Canal UM BRASIL e à Revista Problemas Brasileiros — ambas realizações da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
De acordo com ele, o país é uma porta de entrada dos empresários para a Europa, bem como para um mercado novo e consumidor bastante relevante, com muita demanda. Um “ambiente seguro” aos empresariado brasileiro.
“E a internacionalização em língua portuguesa é muito atrativa. Muitos dos empresários, por alguma circunstância, acabaram não sendo fluentes em inglês, francês ou espanhol. E, portanto, Portugal é um destino natural”, completa.
Nesta entrevista, realizada em parceria com o World Trade Center (WTC) Lisboa Business Club, Senise reflete sobre os desafios, as oportunidades e os principais erros dos brasileiros que buscam Portugal como caminho para a internacionalização.
As diferenças no mundo dos negócios
- Agilidade. Senise acredita que o Brasil é mais “americanizado” na sua forma de fazer negócios em comparação com o país europeu. O que pode ser um choque para quem muda de nação para empreender. Ele cita, como exemplo, a agilidade que é percebida desde a resposta em e-mails até a forma de conduzir negociações. “Além disso, muitas vezes, o brasileiro toma riscos diante de pouca informação”, adiciona.
- Tomada de riscos. O executivo lembra, ainda, da maior propensão do brasileiro para tomar riscos em comparação com os portugueses. “Estamos muito aptos a tomar risco, até por causa do cenário em que vivemos. Enquanto que, no mercado português, quando fazem negócios, eles são mais cautelosos e procuram ter muito mais informação e mais conhecimento daquilo que vão fazer antes de assumir riscos”, explica. “Esses são comparativos importantes para quem pensa em estabelecer um negócio localmente.”
- Judiciário. Na visão de Senise, a cultura da judicialização é muito mais comum entre os brasileiros do que em Portugal. Aqui, a prática “virou uma indústria”, explica. “O Brasil tem uma beligerância muito grande em torno das relações de consumo e contratuais. E tudo vai para o Judiciário, que tem uma grande quantidade de ações — muitas delas quase que aventureiras”, explica. “Em Portugal, a prática é diferente. As pessoas, primeiro, negociam, sentam, tentam resolver e muito poucos são os conflitos que são levados ao Judiciário.”
Os erros dos brasileiros em Portugal
- Atenção redobrada. De acordo com o executivo, há uma série de mudanças na legislação portuguesa que merecem atenção especial dos brasileiros que pretendem construir uma nova vida ou novos negócios em terras europeias.
- Regularização prévia. “Antes, era possível vir a Portugal e se regularizar no país. Hoje já não é mais possível. A pessoa, antes de tudo, tem de obter o visto no país de origem, seja qual for, e depois se mudar para Portugal. Quem vem sem visto já não consegue se regularizar”, afirma. Para quem já está no país europeu, o caminho para a regularização é voltar ao Brasil para, então, pedir um visto. “Esse é um erro constante e continua acontecendo”, alerta.
- Saída fiscal. O segundo erro mais recorrente diz respeito à questão fiscal, explica Senise. “Deixando ou não negócios no Brasil, deixando ou não investimentos no Brasil, a pessoa precisa fazer a saída fiscal do Brasil, porque colocou o seu domicílio em Portugal”, observa.
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