Não existe receita única para o Brasil
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A economia brasileira poderia crescer de forma vertiginosa e obter melhores resultados em áreas como infraestrutura e saúde se um planejamento estratégico de longo prazo fosse implementado no País. A criação de uma agenda básica, na visão do presidente do Centro de Liderança Pública (CLP), Fábio Barbosa, e do presidente da McKinsey na América Latina, Nicola Calicchio, depende da redução da desigualdade por meio de mais acesso à educação.
A entrevista faz parte da série “Brasil, ponto de partida?”, produzida pelo Canal UM BRASIL e pelo CLP, com base no estudo Visão Brasil 2030, que traçou um diagnóstico detalhado da situação atual do País e das aspirações coletadas ao longo da construção do trabalho, com o objetivo de estabelecer uma estratégia de longo prazo para que o Brasil se torne uma nação desenvolvida.
“Vimos que pouco progresso foi feito, pois muitos indicadores permanecem estagnados ou tiveram um avanço tímido como ocorreu com a educação. Entretanto, a principal notícia positiva que percebemos é que é possível mudar. Se países da Ásia, da Europa e da América Latina conseguem fazer esse progresso, porque nós não conseguiríamos?”, questiona Calicchio.
Para Barbosa, faz sentido olhar para os outros países e analisar como eles evoluem, além de pensar em replicar em território nacional modelos regionais bem-sucedidos. Ele dá como exemplo o salto de qualidade do ensino público na cidade de Sobral, no Ceará. “O importante é que cresçamos como um todo. Não dá para irmos bem, indefinidamente, em um país que vai mal. Ou trazemos as pessoas menos favorecidas para participar do benefício do crescimento econômico, ou vamos ter problemas”, afirma.
Além disso, o presidente do CLP observa que o setor privado tem contribuído para o desenvolvimento da sociedade ao apoiar bandeiras importantes como a democracia e o meio ambiente. “Os jovens estão perguntando às empresas o que elas fazem de benéfico para a sociedade, e as empresas sentem que é preciso ir além do dia a dia e dar um passo a mais.”
“O Brasil é um país grande com realidades diferentes, mas muitos dos desafios – guardados os contextos locais – são os mesmos. Se aumentássemos o número de acordos comerciais, daríamos acesso ao mundo para todos os Estados brasileiros, e cada um vai exportar o que tem vocação”, finaliza Calicchio.

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