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Economia e Negócios

Favelas geram renda, riqueza e potências

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Joyce Ribeiro Entrevistador(a)
Publicado em: 25 de novembro de 2022

ENTREVISTADOS

“Apesar da construção negativa a respeito da favela e das pessoas que nelas vivem, quando se trabalha com uma perspectiva diferente, de positividade, paramos de pensá-la como um local onde só há carência; vemos que se trata de um lugar de potências”, declara Preto Zezé, presidente  nacional da Central Única das Favelas (Cufa), durante a segunda gravação da série comemorativa de 500 entrevistas do  Canal UM BRASIL – uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). A entrevista teve o apoio do PULSE 2022 – 28° Congresso Nacional de Jovens Empreendedores.

No bate-papo, comandado pela jornalista Joyce Ribeiro, Preto Zezé fala sobre a realização do ExpoFavela no World Trade Center São Paulo, com mais de 20 mil inscritos para uma premiação voltada apenas a moradores das comunidades. “Reunimos gente da produção de alimentos limpos, moda sustentável e gente da comunicação, da tecnologia e das redes de pequenos negócios – uma diversidade de coisas que mostra que as pessoas querem realizar, mas as condições não favorecem”, pondera. “Muitas vezes, as empresas temem estes territórios; e o governo, quando olha, só os considera gastos. É preciso olhar a favela como um ambiente de investimento e descoberta.”

Preto Zezé salienta que também é preciso superar a ideia de que trabalho social não está relacionado à economia. As favelas produzem R$ 187 bilhões em poder de consumo, são mais de 17 milhões de pessoas vivendo nelas – quase como o quarto maior Estado da federação, frisa.

“Não é um lugar onde se possa simplesmente ir vender um produto e ir embora, e essas pessoas não querem apenas comprar, querem se ver na comunicação da empresa e saber se ela tem alguma responsabilidade para além de apenas vender”, ressalta.

Diversidade é um ativo valioso às empresas

Preto Zezé comenta que quando as empresas passam a incluir pessoas negras em sua estética, na comunicação e na direção, há um olhar mais completo dos negócios. “O ativo da diversidade é benéfico à economia das empresas, a diversidade faz bem para receitas e despesas.”

“Nós lutamos muito para entrar e ‘construir as estradas’ [no meio corporativo]. Agora, a luta é com o desafio de como operar este ambiente, como dirigi-lo. Estamos falando da presença de pessoas negras não apenas como um símbolo de presença no local, mas da incorporação da diversidade como algo legítimo e necessário em uma sociedade diversa”, afirma.

Processo de exclusão

Outro tópico da entrevista é o processo de exclusão histórico pelo qual passam os moradores das favelas e comunidades pobres. “Quando falamos com o gestor público de algum lugar, é comum ouvir que naquela cidade não há favela. Eles chamam de outra forma, mas há favela. Isso decorre do histórico brasileiro, de 388 anos de existência marcada pela escravidão, com populações despejadas nestes lugares. A origem da palavra ‘favela’ está ligada a um processo de exclusão”, ressalta o presidente nacional da Cufa.

O empresário lembra do primeiro registro de uma favela no País. “Quando os soldados que lutaram na Guerra de Canudos voltaram para o Rio de Janeiro e foram pedir seus soldos ao governo, não foram pagos. Eles, então, foram ‘se amontoando’ ao pé de um morro, o atual Morro da Providência, tido como a primeira favela do Brasil, graças a um registro policial. Em 1900, um documento oficial já citava, pela primeira vez, a palavra ‘favela’ como um ambiente degradado e que precisava ser vigiado”, esclarece.

Foto: Divulgação

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