O Brasil que insiste em funcionar
Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua*
Em um momento no qual o Brasil discute produtividade, inovação, emprego e crescimento econômico, a Semana S, realizada de 12 a 17 de maio, coloca na vitrine uma nação que, muitas vezes, funciona silenciosamente, longe das polarizações, da demagogia e dos discursos fáceis.
Promovida pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), pelo Sesc, pelo Senac e pelas Federações do Comércio, a iniciativa reúne empresários, trabalhadores e sociedade para provar como educação, cultura, qualificação profissional e empreendedorismo podem caminhar de mãos dadas.
Os números dimensionam esse impacto. O Sesc São Paulo consolidou-se como uma das maiores redes de cultura, bem-estar e inclusão social do País. Com 44 unidades espalhadas pelo Estado, recebeu mais de 30 milhões de frequentadores em 2025, oferecendo atividades nas áreas de Cultura, Esporte, Lazer, Turismo Social, Saúde, Alimentação e Cidadania.
O Senac São Paulo, por sua vez, tornou-se referência em educação profissional conectada às transformações do mercado de trabalho, ao estimular a diversificação e apoiar a introdução de novas áreas do conhecimento, como Hotelaria, Gastronomia, Fotografia, Moda, Gestão Ambiental, entre outras. Além disso, formou milhões de profissionais em setores emergentes da economia, incentivando o desenvolvimento do setor do Comércio de bens, serviços e turismo. São 63 unidades educacionais, três campi universitários, dois hotéis-escola e mais de 1,6 mil títulos de cursos. Só em 2024, a instituição realizou mais de 2,1 milhões de atendimentos no Estado. O Programa Senac de Gratuidade (PSG) já beneficiou mais 2,3 milhões de pessoas com bolsas de estudo concedidas, ajudando a transformar trajetórias de vida.
Por trás dessas realizações, um setor que sustenta grande parte da economia brasileira. Por meio de uma rede de mais de 130 sindicatos empresariais, a FecomercioSP representa cerca de 1,8 milhão de empresas paulistas, responsáveis por aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. São negócios que geram empregos, renda, arrecadação e oportunidades em todas as regiões do Estado.
Mas é impossível ignorar a dura realidade enfrentada pelo empreendedor brasileiro. Empreender no Brasil exige resiliência diária. O empresário convive com juros elevados, excesso de burocracia, alta carga tributária, insegurança jurídica e mudanças frequentes nas regras do jogo. Muitas vezes, pequenos e médios empreendedores gastam mais energia tentando sobreviver ao ambiente de negócios do que planejando expansão, inovação ou contratação de funcionários.
Discussões trabalhistas e econômicas legítimas precisam considerar também seus impactos sobre os setores produtivos, principalmente o Comércio e os Serviços, que concentram grande parte dos empregos formais nacionais. Sem diálogo, previsibilidade e segurança jurídica, o risco é ampliar custos e desestimular investimentos.
É justamente nesse ponto que a Semana S ganha relevância simbólica, representando um Brasil que capacita, acolhe, empreende, gera renda, promove cultura e cria oportunidades. Um Brasil que insiste em funcionar e avançar, apesar das dificuldades.
*Abram Szajman e Ivo Dall’Acqua são, respectivamente, presidente e presidente em exercício da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP)
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