Política tem de ser ocupada pelas melhores mentes do País
Uma sociedade em que os cargos públicos são ocupados por aqueles que buscam o seu próprio favorecimento e praticam a desonestidade está condenada a ser liderada pelos piores. Nesse contexto, a democracia, por sua vez, está fadada ao fracasso. Mas há uma maneira de reverter esse quadro: trazendo as melhores mentes para a política.
Especificamente sobre o Brasil, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso argumenta que é preciso requalificar a política, começando por deixar claro que é mais vantajoso ser honesto do que desonesto quando se trata de atuar no setor público.
“Assim como em 1808 [quando a família real portuguesa se mudou para o Rio de Janeiro] o Brasil começou, acho que estamos tentando refundar um país, ensinando as novas gerações que ser honesto é melhor do que ser desonesto. E que, se for desonesto, vai ter consequências negativas”, pontua o ministro, defendendo investigações contra suspeitos de corrupção.
Temeroso de que haja um retrocesso no que diz respeito à atividade parlamentar e aos mecanismos de combate a desvios, Barroso reforça que as lideranças não podem passar uma mensagem de que esse esforço foi em vão, sob o risco de afastar ainda mais os jovens e as mentes mais bem preparadas da vida pública. “Os bons têm de ocupar os espaços do Brasil, porque esses espaços foram ocupados pelos espertos e pelos corruptos”, conclama.
Um dos escritores mais renomados da América Latina e ex-candidato à presidência do Peru, Mario Vargas Llosa avalia que as gerações mais jovens veem a política com desprezo. “Precisamos convencer os jovens de que a política pode ser uma atividade idealista, construtiva e que, por meio dela, podemos mudar a história e a realidade das sociedades, criar oportunidades e trazer modernidade”, salienta.
Segundo o ganhador do prêmio Nobel de Literatura, a desconfiança com a política faz com que os jovens “mais brilhantes e mais talentosos” a evitem, preferindo, assim, se dedicarem a trabalhos profissionais. Ele alerta, contudo, que se a política não atrair “os elementos mais idealistas da sociedade”, o sistema democrático pode ruir.
“Se deixarmos a política com os piores, ela nunca terá uma melhora nos níveis intelectual, científico e ético”, assevera Llosa. “Acho que isso é absolutamente indispensável se quisermos que nossas democracias sejam verdadeiramente funcionais e que, principalmente, tenham credibilidade diante do cidadão comum”, complementa.
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