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Transformar potencial em estratégia é o caminho para o Brasil ganhar poder no novo cenário global

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Publicado em: 16 de setembro de 2026

O Brasil reúne recursos naturais, energia, biodiversidade, capacidade agrícola e conhecimento tecnológico que podem colocá-lo em posição privilegiada frente às transformações da economia mundial. O desafio, porém, é transformar esse potencial em poder, com estratégia, coordenação e capacidade de articulação entre governo, empresas e sociedade. Essa foi uma das principais conclusões do evento De Potencial a Poder: o que Precisa Mudar para que o Brasil Mude, promovido pela Meridiana — organização brasileira voltada para a produção de políticas públicas no desenvolvimento econômico de baixo carbono no Brasil —, com apoio da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), por meio do Canal UM BRASIL e da Revista Problemas Brasileiros (PB).

No primeiro painel, “Riscos e oportunidades para o Brasil”, as participantes abordaram a mudança profunda no ambiente internacional, marcado por guerras, disputas comerciais, competição por recursos estratégicos, reposicionamento de grandes potências e maior peso da geoeconomia. Segundo Mônica Sodré, CEO da Meridiana, o mundo caminha para um ambiente “menos cooperativo e mais competitivo”, no qual segurança tende a se sobrepor à eficiência na definição dos fluxos de capitais e das relações econômicas. A economista Fabiana D’Atri, do Bradesco, chamou a atenção para a necessidade de o Brasil deixar de ser apenas tomador das tendências internacionais e buscar um papel mais direcionador. “Falta agregar estratégia, agregar posicionamento, parcerias, diversificação e não ser tomador do mercado. Falta direcionamento”, afirmou.

A relação do Brasil com o mundo também foi discutida sob a perspectiva da diplomacia e da atuação empresarial. Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, avaliou que o País precisa mudar a maneira como se posiciona internacionalmente e compreender melhor o que o mundo quer e o que a Nação pode oferecer. “A diplomacia não é mais uma questão do Estado. O empresário será um diplomata e terá que negociar, sim, os seus interesses”, ressaltou. A economista Ana Paula Vescovi, ao tratar das relações com a China, enfatizou justamente a importância das pontes construídas pelo setor privado e da diversificação de riscos e oportunidades. Ela acredita que muitas soluções surgem das empresas que buscam diálogo, cooperação e novas formas de conexão com mercados internacionais.

No segundo painel, “Por que energia, minerais e alimentos são uma agenda nacional estratégica”, as participantes mostraram que os três setores estão diretamente relacionados à segurança econômica e à geopolítica do País. No agronegócio, a pecuarista e socióloga Teresa Vendramini destacou que o Brasil já conta com uma posição relevante, mas ainda enfrenta obstáculos como insegurança jurídica, direito à propriedade privada, questões fundiárias, falta de mão de obra e vulnerabilidades relacionadas a insumos. 

Na mineração, Grazielle Parenti, chefe de Sustentabilidade da Vale, explicou que os minerais críticos ganharam importância central na disputa geopolítica e que o Brasil possui uma das maiores dotações minerais do mundo. O desafio, segundo ela, é transformar reservas em cadeias produtivas capazes de gerar emprego, renda, tecnologia e poder econômico.

As debatedoras defenderam que o País deve apostar nas cadeias de valor que já domina, como petróleo, gás, biogás, bioenergia e biocombustíveis, conciliando desenvolvimento e redução de emissões. No setor elétrico, a economista Elena Landau apontou as necessidades de lidar com problemas de governança e de rever a organização do sistema para garantir energia competitiva e segurança de abastecimento. Em comum, as diferentes visões convergiram para a necessidade de combinar recursos naturais, tecnologia, investimento, infraestrutura, regulação e planejamento de longo prazo.

Heloísa Borges, especialista em energia e professora na Fundação Getúlio Vargas (FGV), citou a governança como um dos principais entraves nacionais. Segundo ela, o setor de energia é marcado pela influência de interesses específicos sobre tarifas e decisões, enquanto o Brasil perdeu capacidade de controle e planejamento. “É preciso trabalhar problemas estruturais do sistema e reorganizar a matriz energética, garantindo melhor alocação de custos e recursos.

O debate mostrou, portanto, que o Brasil não precisa escolher entre ser uma potência de recursos naturais ou uma economia baseada em tecnologia e inovação. A oportunidade está em usar suas vantagens existentes como base para construir novas cadeias de valor, ampliar sua inserção internacional e aumentar a própria capacidade de influenciar as transformações globais. Para as oito participantes do evento, o ponto central é superar a lógica de reação e construir uma visão estratégica de país, capaz de conectar energia, alimentos, minerais, indústria, ciência, finanças, diplomacia e iniciativa privada. “O Brasil precisa provocar o presente para fazer a escolha sobre o futuro”, sintetizou Izabella. 

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