“Serei muito rico quando não tiver mais nada”
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A economia compartilhada está mudando as relações de consumo e os valores sociais. Desse modo, não há mais a necessidade de ter alguns bens para usufruir de seus benefícios, o que faz o navegador, palestrante, escritor e empreendedor Amyr Klink rever o que considera ser rico.
Em entrevista ao UM BRASIL em parceria com a Expert XP 2018, o velejador comenta que, diante de inovações como o serviço de transporte privado por aplicativo, não é preciso mais ter carro. Isso o faz pensar que é possível ter uma vida mais rica sem acumular bens.
“Estou me dedicando muito mais a fazer e experimentar do que a ter. Depois da última viagem para a Antártica, falei para a minha mulher: agora, decidi que não vou ser rico, vou ser muito rico. E eu serei muito rico quando eu não tiver mais nada. Não quero ter mais nada, helicópteros, aviões, fazenda, casa, apartamento. Eu quero alugar meus bens e não administrá-los”, afirma.
O velejador enfatiza a Leandro Beguoci que não faz sentido possuir coisas que você utiliza somente de vez em quando. Sua empresa de aluguel de veleiros, em Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, cumpre exatamente esse papel: em vez de suas embarcações ficarem ociosas, são usadas como veículos de passeio por consumidores que, dessa maneira, não precisam ter seu próprio barco para navegar.
Klink chama isso de indústria do compartilhamento, em que um se torna provedor do outro. “Você não precisa mais ter as coisas. Você precisa conquistar o benefício de uso. No fundo, isso é uma espécie de sustentabilidade com a qual a gente ainda não aprendeu a conviver, que é a da eficiência, do uso inteligente”, ressalta.
Segundo o navegador, essa transformação na economia deve impactar valores sociais, ainda mais em um país com “dificuldades sociais gravíssimas”, em termos de segurança, inteligência e habilidades emocionais, como o Brasil. “A gente vive em uma situação muito primitiva de relacionamento, de cada um por si, sem pensar no todo. Essa transformação que está ocorrendo vai construir novos valores”, reitera.

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