Ajuste fiscal compromete atividades em universidades federais
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A Emenda Constitucional n.º 95/2016, que implementa um teto para os gastos públicos federais e diminui recursos para áreas como educação, impacta diretamente sobre as atividades exercidas nas universidades federais. Em entrevista ao UM BRASIL, a reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili, avalia as mudanças ocorridas em decorrência do ajuste fiscal.
Em conversa com Sabine Righetti, Soraya lembra que as universidades passaram a ter pequenos contingenciamentos nos seus orçamentos já em 2014 e que, desde então, a situação tem se agravado. A piora foi sentida com a EC95, que estabelece um teto de gastos federais por 20 anos.
A reitora da Unifesp acredita que as universidades públicas federais enfrentarão mais dificuldades até 2020. Para ela, isso afetará o ensino oferecido e as áreas de pesquisa, de produção de conhecimento, de desenvolvimento, de tecnologia, entre outras atividades.
“Além da formação de mestres, doutores, graduantes e residentes, tem todo um contexto de produção de conhecimento que fica prejudicado se nós não tivermos todo o potencial de funcionamento. Hoje, esse potencial não é pleno, estamos funcionando nos limites das nossas capacidades”, alerta a reitora.
A gestora da Unifesp também destaca que o corpo docente da Unifesp é totalmente formado de doutores, com uma parcela considerável de livre-docentes. Dentro desse quadro, muitos têm formação no exterior e são especialistas em pesquisas de alta qualidade.
Soraya enfatiza que as pesquisas visam ao desenvolvimento da sociedade e que o limite de gastos vai cercear a capacidade de criação e de desenvolvimento do conhecimento do docentes e pesquisadores e as possibilidades dos estudantes de aprimorar a própria formação. Ela reforça que estudos feitos em universidades nas áreas ambiental, tecnológica e de saúde, por exemplo, foram transformados em benefícios para a população.
“Se continuarmos neste ritmo de redução, certamente teremos uma queda na produção do conhecimento, na queda de trabalhos publicados e na nossa projeção internacional. As pesquisas também vão deixar de gerar conhecimento para a sociedade”, diz.
Nesse processo de construção de conhecimento, a atuação da iniciativa privada é fundamental. A reitora fala que nos Estados Unidos e em países europeus, as empresas muitas vezes contribuem da mesma forma que o serviço público para os desenvolvimentos da pesquisa e da ciência. Ao absorver os doutores que estão sendo formados, evita-se o desperdício desses talentos, a chamada “fuga de cérebros”. “Nós não queremos que eles tenham de sair do País para trabalhar”, diz.

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