Formação política é fundamental para renovar a democracia
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- Formar cidadãos politicamente, em especial os mais jovens, é crucial para a renovação da democracia e o fortalecimento dos partidos políticos na América Latina. É o que defende Andrés Pastrana, presidente da Colômbia entre 1998 e 2002.
- Pastrana também compartilha episódios marcantes que moldaram a própria visão sobre liderança, autoridade e responsabilidade pública, além de memórias e reflexões como líder.
- Depois de governar em um país marcado pela presença e pela influência do narcotráfico, Pastrana vê o combate a esses grupos como uma das tarefas fundamentais dos políticos latino-americanos.
Formar cidadãos politicamente, em especial os mais jovens, é crucial para a renovação da democracia e o fortalecimento dos partidos políticos na América Latina. É o que defende Andrés Pastrana, presidente da Colômbia entre 1998 e 2002, na estreia da série Diálogos Presidenciais, promovida pelo Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) — em parceria com o RenovaBR e o Insper, e com curadoria de conteúdo da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Neste primeiro episódio, conduzido pelo jornalista Jaime Spitzcovsky, Pastrana também compartilha episódios marcantes que moldaram a própria visão sobre liderança, autoridade e responsabilidade pública, além de memórias e reflexões como líder.
Partidos precisam ser porta-vozes do povo
- Política institucional enfraquecida. “O que vejo que está acontecendo na política na América Latina? Primeiro, há um desgaste dos partidos. Em muitos países, eles têm tido cada vez menos apoio. E em boa parte é por causa da falta de formação política”, observa.
- Desafio dos partidos. O ex-presidente vê essa como uma etapa fundamental para modernizar e atualizar esses partidos, que hoje estão distantes da sociedade. “Os partidos têm de voltar a serem porta-vozes das pessoas. Hoje, os vejo, às vezes, muito mais distantes. E de que forma podemos vincular de novo os jovens à política? Isso se faz mediante formação política”, completa.
- ‘Think tanks’ e escolas de formação. Pastrana lembra que muitos líderes e presidentes latino-americanos nasceram nas chamadas escolas de formação. Ele lembra do próprio pai, formado na Fundação Simón Bolívar. “Às vezes, somos muito centralizados no que acontece dentro dos nossos países, e eu acho que as escolas de formação nos dão uma visão muito mais além”, explica. “Os think tanks, as escolas de formação, são muito importantes porque podemos trazer muita gente como aporte dos partidos e dos candidatos”, completa.
Política se constrói com voto, não com herança
- Influência familiar. Na série Diálogos Presidenciais, o ex-presidente também revela mais detalhes das suas vidas pessoal e política. Pastrana é filho de Misael Pastrana Borrero, que foi também foi presidente da Colômbia, entre os anos 1970 e 1974.
- Reflexos na vida pública. Pastrana explica que nascer em uma família de políticos não torna mais fácil fazer política. Pelo contrário, defende. “Primeiro, você herda os amigos do pai, mas também seus inimigos. E, segundo, eu nunca ocupei um cargo por nome. Toda a minha vida, eu sempre disse, qualquer cargo que aspire é por eleição popular”, afirma.
- Vontade popular. O líder colombiano lembra que fundou o próprio partido, inclusive a contragosto do pai. “Eleito o Congresso, fui senador e fiz duas campanhas presidenciais. Faço minha vida política e me submeto ao voto do povo. O povo é quem me dirá se quer que eu esteja ou não na atividade política”, completa.
Políticos não podem ser cooptados pelo narcotráfico
- Financiamento. “Chegar ao Congresso da Colômbia, hoje em dia, pode custar US$ 4 milhões ou US$ 5 milhões. De onde vêm esses recursos? Quando eu fazia campanha, buscava com amigos empresários e, depois, o financiamento do Estado”, relembra. Atualmente, a situação é outra. A corrupção e o narcotráfico tomaram conta do país e muitos políticos vêm sendo financiados por grupos que estão à margem da lei.
- Problema regional. Para o ex-presidente, o mesmo ocorre em outras regiões da América Latina. Depois de governar em um país marcado pela presença e pela influência do narcotráfico, Pastrana vê o combate a esses grupos como uma das tarefas fundamentais dos políticos latino-americanos.
- História que se repete. “Me roubaram a presidência da Colômbia quando o narcotráfico, com o cartel de Cali, comprou a presidência da Colômbia. Igual está acontecendo hoje no México, no Equador. Quantos membros dos diferentes partidos estão, hoje, financiados pelo narcotráfico?”, questiona. “Aqui, no Brasil, esse é um assunto essencial”, completa.
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