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Tecnologia pode levar saúde de qualidade a todos

DEBATEDORES | Patrícia Ellen

Apesar de ser uma das áreas que mais avançou no Brasil nas últimas décadas, a saúde segue em nível aquém do razoável. A sobrecarga de demanda no sistema está relacionada à “carga tripla” de doenças que se manifestam por todo o território nacional. O País, contudo, já dispõe de um mecanismo que pode tornar o sistema de saúde mais eficiente: uma população altamente conectada. É o que diz a presidente da empresa de tecnologia em saúde Optum e professora do Centro de Liderança Pública (CLP), Patrícia Ellen.

Em entrevista ao UM BRASIL, Patrícia salienta que o caminho para desafogar e tornar o sistema de saúde eficiente passa por integrar dados sobre os pacientes, uma vez que “cada lugar armazena um pedacinho das nossas vidas”, de modo que não há um histórico de saúde à disposição dos médicos. Dessa maneira, o aperfeiçoamento dos serviços de saúde pressupõe trabalhar com Big Data, análise de dados e acompanhamento do paciente a distância – essa etapa, inclusive, permite que o sistema de saúde avalie o andamento do tratamento de pacientes de alto risco.

“É muito importante fechar esse fluxo com programas clínicos de atenção a essas pessoas, para que não cheguem só ao pronto-socorro quando estiverem com uma doença em quadro agravado, que é pior para elas e para o sistema”, comenta Patrícia. “A tecnologia pode fazer saúde de qualidade chegar a todos de forma inteligente”, completa.

Segundo ela, o Brasil enfrenta um problema chamado “tripla carga de doença”, que é formado pelos seguintes casos: enfermidades crônicas (como câncer e diabetes), doenças infeccionais (malária, dengue, febre amarela) e causas externas (acidentes de trânsito e casos de violência).

“Quando juntamos esses três tipos de demanda, criamos naturalmente uma sobrecarga muito grande no sistema. E a gente envelheceu antes de prosperar economicamente. Então, de um lado, temos uma demanda muito desafiadora, e, do outro, uma escassez de recursos”, explica a professora do CLP.

Por isso, Patrícia reforça a necessidade de integrar as informações de saúde dos pacientes como forma de aumentar a eficácia dos tratamentos.

“Há várias iniciativas acontecendo para integrar dados, mas, em geral, as integrações ainda são parciais: dizem respeito a recortes específicos do sistema que estão sob a responsabilidade de uma gestão ou a alguma necessidade específica, como a que houve com o vírus da zika”, ressalta.

Embora o uso da tecnologia na área de saúda ainda esteja engatinhando, Patrícia se mostra otimista em relação a esse recurso. “O Brasil tem uma vantagem, que é uma população extremamente conectada, muito digital, e isso conta a favor de se tentar resolver grandes problemas com recursos escassos”, pondera.

A entrevista faz parte da série “Brasil, ponto de partida?”, produzida pelo UM BRASIL em parceria com o Centro de Liderança Pública (CLP), com base no estudo Visão Brasil 2030, que traça um diagnóstico detalhado da situação atual do País e das aspirações coletadas ao longo da construção do trabalho, com o objetivo de estabelecer uma estratégia de longo prazo para que o Brasil se torne uma nação desenvolvida.

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