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Política

“Solução para a democracia é ampliar a participação”, diz Michael Coppedge

Publicado em: 25 de outubro de 2016

ENTREVISTADOS

A sociedade não pode deixar que a apatia política enfraqueça a democracia, pois o que conserta uma democracia ruim é uma melhor. Essa é a opinião do professor de Ciência Política na Universidade de Notre Dame, Michael Coppedge.

Em entrevista ao UM BRASIL, realizada durante a 2ª Semana da Democracia, em parceria com o Instituto Atuação, ele diz que a solução para os eleitores descontentes é continuar participando dos pleitos e que a apatia que a política causa se deve à classe política em atividade.

“A única solução é continuar participando das eleições. Continuar ‘limpando a casa’, se livrando dos políticos ruins. A participação pode evitar essa apatia. A solução para uma democracia ruim é ter uma democracia melhor ou mais ampla”, diz Coppedge.

O especialista é membro do Projeto Variedades Democráticas (Varieties of Democracy Projetc), que mede a evolução histórica e os atributos da democracia e governança em diversos países. De acordo com ele, há vários tipos de democracia e isso pode ser medido por indicadores. No entanto, essa mensuração não é tão simples em ambientes mais localizados. “Em nível subnacional, como os 50 estados americanos ou os estados brasileiros, o desafio [de medir o nível democrático] é maior, pois demanda informações difíceis de obter. A lista de especialistas confiáveis é reduzida. Quanto mais específica for a informação, mais difícil é conseguir uma boa resposta. Mas para o cenário nacional é possível e já foi feito”, afirma.

Para Coppedge, embora o voto seja usado como sinônimo de democracia em muitas partes do mundo, como no Brasil, só isso não basta para definir que uma sociedade possui ambiente favorável ao processo democrático. “No conceito de um homem, um voto é muito importante, essencial à democracia. Os postos de votação, as urnas, são o único lugar no sistema político onde todos têm o mesmo peso. Durante a votação, ricos e pobres são todos iguais. No entanto, não é o bastante. É insuficiente para se obter uma democracia de qualidade. As desigualdades atuais, mais em algumas sociedades do que em outras, interferem na qualidade política.”

Na entrevista, o professor da Universidade de Notre Dame conceitua o que são as chamadas democracia eleitoral, liberal, participativa, deliberativa e igualitária, além de comentar como as desigualdades econômicas, educacionais e sociais interferem nas eleições.

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