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“Crise política afeta credibilidade do governo”, diz cientista político

DEBATEDORES | José Álvaro Moisés

O Brasil vive um momento de “avalanche política” que afeta diretamente a credibilidade e a base da estrutura do governo. Essa é a opinião do cientista político e diretor científico da Corrupteca, José Álvaro Moisés, entrevistado pela plataforma UM BRASIL.

A divulgação de áudios entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro da Casa Civil, Jacques Wagner, divulgados na última semana, revelam o momento mais explícito da operação Lava Jato.

“São fatos graves, que foram instalados dentro do Palácio do Planalto e que impactarão na crise”, explica. Moisés acredita que o País vive um momento de democracia majoritária. Por terem sido eleitos, os políticos reagem contra qualquer investigação, como se fossem inapropriadas.

“O que temos hoje é uma Constituição que fortalece os papéis do Ministério Público e da Polícia Federal, instituições que investigam e trazem à tona ações de corrupção e que afetam a maior parte dos partidos brasileiros”, enfatiza. O especialista defende o sistema de integridade que se instalou nos últimos anos por meio das investigações do esquema da Petrobras.

“Criou-se uma era de transparência, que mostra para a sociedade que não apenas houve os malfeitos, mas que também estão sendo combatidos”, acredita. Um impeachment é sempre traumático, pois paralisa o governo e exige lideranças capazes. Moisés conta que a experiência democrática sempre levanta dúvidas se o sistema presidencialista é a melhor opção para nações complexas e extensas geograficamente como o Brasil.

“Há debates sobre um possível governo parlamentarista, no qual se elege um presidente e um primeiro- ministro subordinado às forças do Congresso Nacional. Esse ministro pode perder o cargo se cometer qualquer deslize, assim como o presidente, o que contribuiria para a governabilidade do País. A flexibilidade desse sistema, que vigora em muitos países da Europa, é colocada à prova contra a rigidez que vivenciamos com o modelo presidencialista”, explica.

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