Brasil precisa renovar os personagens da política, diz historiador Kenneth Maxwell
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O Brasil está claramente passando por uma crise profunda na política e na economia. A superação dessa situação passa por reformas, principalmente a política, o que inclui a necessidade de novos personagens na liderança do País. A análise foi feita pelo historiador britânico e brasilianista Kenneth Maxwell em entrevista ao UM BRASIL.
Fundador do programa de estudos brasileiros da Universidade de Harvard, Maxwell pondera que o Brasil é uma nação grande e com um sistema político complexo – que não acompanhou a mudança da sua sociedade nos últimos 40 anos. Para o historiador, o atual governo interino não representa renovação, porque reúne indivíduos que já estão nessa atividade há várias décadas.
“É inacreditável pensar que um novo governo está composto quase totalmente por homens de mais de 70 anos, que participam da política há 20, 30 anos. O Sarney, por exemplo. Foi homem do governo militar, da transição, do governo civil e ainda está nos bastidores”, exemplifica. Uma das novidades que a crise trouxe é a demonstração da atuação independente de algumas partes da Justiça Federal, como a operação Lava Jato e as condenações executadas pelo juiz Sérgio Moro.
“Cada dia tenho medo de abrir o jornal para ver quem está envolvido em mais delações premiadas”, brinca. De acordo com ele, é inacreditável para o Brasil pensar que o chefe de uma grande empreiteira como a Odebrecht está preso e, a cada dia que passa, mais políticos são denunciados – situação que já extrapolou o PT e afetou outros partidos.
Maxwell analisa ainda que achar lideranças nas novas gerações e a alienação de classes são problemas que não afetam somente o Brasil. Está acontecendo na Inglaterra – com o apoio da população mais velha, fruto da desindustrialização, ao Brexit – e nos Estados Unidos, no respaldo de brancos veteranos de guerra à candidatura de Donald Trump. “E também podemos lembrar que no mundo em geral entramos numa situação de muita incerteza. É um momento de mudança de poderes internacionais.”
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