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“Base nacional curricular é um objetivo a longo prazo”, diz Anne Lin Goodwin

DEBATEDORES | Anne Lin Goodwin

Estabelecer uma Base Nacional Comum Curricular em todo o País deve ser um objetivo para ser alcançado no longo prazo pelo governo brasileiro, de forma que as iniciativas possam ser implementadas conjuntamente nas escolas. É o que diz Anne Lin Goodwin, vice-reitora e professora de Educação do Teachers College, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao UM BRASIL, Anne Lin diz que uma base curricular de abrangência nacional tem por objetivo envolver conceitos amplos para o ensino, não conseguindo ser eficaz para resolver problemas em casos específicos.

“É importante entender que ‘base’ é uma definição muito ampla. São objetivos amplos, não são específicos. São criados para expressar uma visão sobre o que o Brasil quer que os alunos realizem e conquistem a longo prazo”, afirma Anne Lin.

“A longo prazo quer dizer que a implementação deve levar um tempo a ser feita e com cuidado”, completa. A vice-reitora do Teachers College também diz que o País pode aprender com erros realizados por outras nações, como os Estados Unidos, quando implementaram uma base nacional curricular. Segundo ela, esse processo não deve ser apressado.

“Se o Brasil tiver a oportunidade de fazer uma implementação a longo prazo, para garantir que tudo caminhe no tempo certo, de forma que tudo esteja em ordem antes do próximo passo, acredito que o processo será ótimo”, diz Anne Lin. De toda forma, ela afirma que, para que novos métodos de ensino sejam postos em prática, é necessário preparar os professores para “uma vida de ensino”, e não para uma única forma padronizada de ensinar.

“Quando [os professores] aprendem a fazer algo corretamente, podem fazer aquilo diversas vezes, sem parar. Mas se tiverem ferramentas e um jeito de pensar que permita a invenção de novas práticas a partir do conhecimento, isso sim é aprendizado”, afirma a vice-reitora. Anne Lin também diz que os professores costumam ter de encarar as salas de aula por conta própria muito cedo, sem a experiência necessária ou o apoio de colegas com mais anos de docência.

“Faz sentido existir algum tipo de apoio de pessoas mais experientes para os novatos de uma profissão. Em muitas profissões, isso existe. Em muitas profissões, entende-se que uma pessoa nova não vai ter o mesmo desempenho de uma pessoa experiente. Mas na educação esperamos que o novo professor seja igual ao experiente. Não faz sentido nenhum.”

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