Estudar se tornou algo para fazer durante toda a vida”, diz Lúcia Dellagnelo
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Para se manter produtivo e capaz de entender o mundo em que vive, qualquer tipo de profissional tem de seguir estudando e aprendendo novas habilidades ao longo da vida, não bastando apenas cursar o ensino tradicional. Essa é a interpretação da diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira, Lúcia Dellagnelo, sobre viver e trabalhar na sociedade do conhecimento.
Em entrevista ao UM BRASIL, realizada em parceria com o Laboratório de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (LAB FGV), Lúcia diz que vivemos em uma sociedade baseada na inovação e que, por isso, há a necessidade de se renovar e aprender coisas novas o tempo todo.
“Ser analfabeto não é mais uma opção. Você não consegue mais ganhar a vida, porque a nossa sociedade é baseada em conhecimento e agora, mais recentemente, baseada na cultura de inovação, de renovação constante de conceitos, de plataformas, de ferramentas de trabalho”, afirma Lúcia.
“Mais do que nunca, a educação deixou de ser algo que acontecia numa idade certa da vida – e você tinha educação para o resto da sua vida – para ser um ato que você vai ter que se engajar durante toda a sua vida”, completa. Lúcia reconhece que os dispositivos tecnológicos, embora ainda pouco usados nas salas de aulas brasileiras, vieram para auxiliar significativamente os processos educacionais. Contudo, ela diz que não basta apenas ter os recursos disponíveis, mas que se deve saber usá-los de uma forma que facilitem a aprendizagem e a transmissão de conhecimento.
“Não adianta acharmos que a tecnologia vai resolver todos os problemas, pois ela não é salvadora da educação”, diz a diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira. Para que tecnologia e educação funcionem juntas, Lúcia diz que é necessário identificar a intencionalidade do recurso tecnológico, se o professor se sente confortável com esse tipo de auxílio, não o tornando um obstáculo em sala de aula, a qualidade proporcionada para o processo de aprendizagem e a infraestrutura disponível para que tudo funcione adequadamente, tanto para consumir quanto para produzir conteúdo. Aos céticos quanto ao uso da tecnologia na educação, Lúcia diz que, caso utilizada adequadamente, o professor deixa de ser um refém desses recursos para tornar a aula mais eficiente para cada tipo de aluno ou exposição.
“Sempre gosto de pensar que a tecnologia é uma criação humana. Em qualquer momento eu tenho que pensar qual é a lógica que está por dentro dela e que ela foi criada daquela forma por um ser humano. Portanto, ela pode ser desfeita ou não utilizada por outro ser humano que pense diferente”, afirma Lúcia.
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