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Democracia

ago 30, 2019

Futuro da educação brasileira: desafios e soluções

DEBATEDORES |

Em cinco anos de UM BRASIL, debates fundamentais sobre os rumos da educação no País foram realizados com especialistas e representantes da sociedade que participam ativamente da discussão ou do fomento da educação e ciência no Brasil. Esse período foi particularmente difícil para o setor, em razão da profundidade da crise econômica, que gerou cortes em todos os níveis de ensino.

Os debates realizados cobrem vários aspectos da educação, desde o aprofundamento da desigualdade nas condições de oferta de serviços básicos até a forma como problemas na infraestrutura das escolas afetam os rumos desse setor.

Segundo o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, as precarizações do ensino básico, das instalações, a má formação do aluno e professores desprestigiados são alguns dos pontos mais graves. Com isso, o governo precisa priorizar a educação básica. “O importante é voltar a focar no ensino fundamental, treinar os professores e pagar salários razoáveis”, afirma. “Quanto à universidade, ela se caracteriza pela formação criativa. Então, tem de ter pesquisa. Não é só dar aula. Fazer faculdade sem pesquisa, sem que o professor seja produtor de cultura, não funciona”, completa.

Essa entrevista também conta com a presença do presidente do Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), José Goldemberg.

A reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraya Smaili, explica que as universidades públicas federais enfrentarão dificuldades até 2020. Para ela, isso afetará o ensino oferecido e as áreas de pesquisa, de produção de conhecimento, de desenvolvimento e de tecnologia – por meio da formação de pesquisadores e execução de atividades relacionadas. “Além da formação de mestres, doutores, graduantes e residentes, tem todo um contexto de produção de conhecimento que fica prejudicado se nós não tivermos todo o potencial de funcionamento. Hoje, esse potencial não é pleno, estamos funcionando nos limites das nossas capacidades”, alerta a reitora.

Para ela, o limite de gastos vai cercear a capacidade de criação e de desenvolvimento do conhecimento dos docentes e pesquisadores e as possibilidades dos estudantes de aprimorar a própria formação. “Se continuarmos neste ritmo de redução, certamente teremos uma queda na produção do conhecimento, em trabalhos publicados e na nossa projeção internacional. As pesquisas também vão deixar de gerar conhecimento para a sociedade”, avalia.

O doutor em Ciência Política Fernando Abrucio explica em entrevista que é possível melhorar a política na área educacional mesmo diante da complexidade do Brasil, como a desigualdade. Mas, para isso, ele ressalta que é essencial que haja cooperação entre os entes federativos – essa meta de colaboração requer, essencialmente, a criação de um sistema nacional de educação.

“O desenho que o Brasil adotou após a Constituição de 1988 dá muito poder aos municípios no ponto de vista da provisão da educação e, ao mesmo tempo, permite que os Estados e municípios possam ser o mesmo provedor para um universo comum de alunos. Essa duplicidade não acontece em nenhum lugar do mundo. Fazer esse processo exige muita colaboração, porque dos 5,57 mil municípios brasileiros, mais de 70% têm até 20 mil habitantes e são muito desiguais entre si em termos econômicos e de capacidade administrativa. Os Estados precisam estar envolvidos, mas essa colaboração hoje é rara no Brasil”, observa.

O professor titular da disciplina de Ética e Filosofia Política da USP, Renato Janine Ribeiro, analisa a desigualdade no provimento de educação básica. Ele destaca em debate no canal que se essa desigualdade educacional não for combatida, ela irá se aprofundar ainda mais na sociedade, com efeitos sobretudo no desenvolvimento infantil.

“Se não tomarmos o cuidado de dar acesso a todos, a educação vai se tornar ainda uma porta de maior desigualdade do que já é. Se a criança não tem meios de ter algum tipo de educação básica – como alguém que olha para ver se ela não se machuca, não tem nenhum trabalho pedagógico –, então, fica um pouco limitada em relação às outras que têm um professor capacitado.” Ele também avaliou a estratégia do País quanto ao ensino médio. Para ele, falta uma ligação entre o currículo escolar e a vida social do estudante, já que esse é o último período de formação obrigatória.

Tabata Amaral, deputada federal eleita em 2018, participou de um debate com o economista Daniel José de Oliveira e com o fundador do presidente do Instituto Brasil 21, Pedro Henrique de Cristo em 2017. Ela explica na conversa que o desafio do Brasil é conseguir ofertar educação de qualidade sem que para isso tenha que restringir o serviço a apenas uma parcela da sociedade, como ocorreu na formação de outras gerações no País. Ela também salienta que a desigualdade entre centros e periferias molda a maneira como os jovens almejam o futuro e planejam o desenvolvimento pessoal.

“Muito mais que acesso à saúde, à educação e à segurança, [a diferença entre a escola que frequentei na periferia e no centro era] o tamanho de possibilidades e oportunidades que uma pessoa tinha. Eu vinha de um contexto no qual se sonhava em comprar uma moto, trabalhar no shopping e construir uma família. O problema não está nesses sonhos em si, mas no tamanho dos sonhos e nas possibilidades que cada um enxerga para si. Eu cheguei em um ambiente onde os jovens sonhavam com uma faculdade pública, sonhavam em ser engenheiros e médicos. É incrível poder saber tudo o que tem de possibilidade no mundo e poder escolher o seu caminho”, afirma a atual parlamentar.

O canal é uma iniciativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Inscreva-se no youtube.com/canalumbrasil.