Segurança pública deveria ser planejada em conjunto pelos países latino-americanos
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- Em uma região marcada pela influência do narcotráfico, como é a América Latina, a segurança pública deveria ser planejada em conjunto pelos países e seus líderes, defende Guillermo Lasso, ex-presidente do Equador.
- Lasso ressalta a importância de negociar em bloco com os Estados Unidos e com a Europa, por exemplo, que são os grandes consumidores do mercado internacional de drogas.
- O líder também fez reflexões sobre as instabilidades políticas que marcam a realidade de diversos países pelo mundo . Para ele, o que está em crise não é a democracia liberal. São os políticos.
Em uma região marcada pela influência do narcotráfico, como é a América Latina, a segurança pública deveria ser planejada em conjunto pelos países e seus líderes.
É o que defende Guillermo Lasso, presidente do Equador entre 2021 e 2023, na estreia da série Diálogos Presidenciais, promovida pelo Canal UM BRASIL — uma realização da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) — em parceria com o RenovaBR e o Insper, com curadoria de conteúdo da Organização dos Estados Americanos (OEA).
No segundo episódio da série, conduzido pelo jornalista Jaime Spitzcovsky, Lasso também reflete sobre a chamada “crise da democracia”, a relação da sociedade com a classe política e o papel dos governos na promoção de políticas sociais.
Segurança é tema regional
- Debate abandonado. De acordo com Lasso, a América Latina tem sediado diversas cúpulas presidenciais dedicadas a falar sobre assuntos que vão da migração à pobreza. Mas poucas delas, ou nenhuma, é dedicada a discutir a questão da segurança pública sob a perspectiva regional.
- Um recado às lideranças. “Aproveito esta entrevista para dizer aos presidentes latino-americanos: reúnam-se para falar apenas de segurança. Para buscar harmonizar as leis penais contra os delinquentes. Para integrar os serviços de inteligência”, convoca.
- Quem alimenta o narcotráfico? Lasso ressalta a importância de negociar em bloco com os Estados Unidos e com a Europa, por exemplo, que são os grandes consumidores do mercado internacional de drogas. “É preciso falar com eles. Como presidente, eu disse que não podia gastar o orçamento de educação para proteger os jovens dos Estados Unidos”, recorda.
- Novos players no parlamento. A chegada de representantes do narcotráfico nos espaços institucionais de poder é citada por Lasso como um dos maiores problemas da sociedade latino-americana. “Quando maus políticos estendem a mão para os grupos criminosos organizados e dão espaço para eles numa Assembleia Nacional, em municípios de cidades pequenas, ou eles chegam até a se tornar autoridades, aí há um problema mais grave do que analisar a delinquência comum em um país”, declara.
Crise não é da democracia, mas dos políticos
- Problema está na classe política. Ao UM BRASIL, Lasso também fez reflexões sobre as instabilidades políticas que marcam a realidade de diversos países mundo afora.“O que está em crise não é a democracia liberal. São os políticos. As pessoas estão cansadas dos políticos”, afirma.
- Desconexão com a sociedade. Parte dessa crise pode ser explicada pela dificuldade do Estado em fazer valer as demandas da sociedade. De acordo com Lasso, falta atenção às preocupações das famílias mais pobres, grupo social no qual a geração de emprego é vista como a melhor das políticas sociais. “[Desejo] que uma pessoa jovem tenha a oportunidade de um emprego e que ele avance por seus próprios meios, não porque o Estado lhe dê dinheiro mensalmente”, opina.
- O problema é global. “Aqueles que dizem que a crise é da democracia ainda sonham em manter a situação sob um contexto totalitário, em que tenham o controle de todos os poderes do Estado”, aponta. Segundo Lasso, esse quadro não é exclusivo dos países latino-americanos. Lampejos de um populismo autoritário foram “exportados” para a América do Norte e também para alguns países da Europa, opina.
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