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Economia e Negócios

Jornalistas discutem assédio e discriminação no ambiente profissional

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Publicado em: 16 de março de 2018

“Trabalhava como jornalista em uma posição de coordenação. Em certo momento, descobri que um membro da equipe, que era subordinado a mim, ganhava mais do que eu”, conta a jornalista e pesquisadora Sabine Righetti. “Quando fui reclamar, ouvi que ele era um chefe de família e eu era uma mulher solteira e, por isso, ele ganhava mais”, descreve.

Históras e reflexões referentes à participação das mulheres no mercado de trabalho são tema do debate do UM BRASIL para o mês de março. Em homenagem ao mês da mulher, o canal reúne três de suas entrevistadoras, que lideram debates complexos ao longo de todo o ano, para discutir o equilíbrio entre os gêneros no meio profissional. Além de Sabine Righetti, as jornalistas Érica Fraga e Thais Herédia participam da conversa sobre maneiras de lidar com assédio e sobre práticas das empresas a favor da igualdade entre os gêneros.

Segundo a pesquisa “Mulheres no jornalismo brasileiro”, conduzida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pela organização Gênero e Número, 70,4% das jornalistas admitiram que já receberam “cantadas” que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão. A mesma análise revelou que 86,4% das 477 jornalistas entrevistadas já passaram por alguma situação de discriminação no ambiente de trabalho. A distribuição de tarefas no ambiente das redações de jornal de acordo com o gênero dos profissionais foi a situação mais citada.

“Quando ouvi repetidamente gracinhas vindas de um mesmo chefe, comecei a perceber o que significa ser mulher no ambiente profissional”, observa Érica Fraga. “Aquela pessoa não teve nenhum cuidado, falou alto, coisas que me fizeram mal e me fizeram refletir sobre o que os outros estariam pensando. Poderiam imaginar que tenho espaço porque meu chefe simpatiza comigo. Não via nenhum homem passar por uma situação parecida”, relata a jornalista.

Érica se diz satisfeita que o tema da desigualdade entre homens e mulheres esteja sendo amplamente discutido, uma vez que percebe que o assédio não é um problema para seus pares homens. “No tratamento com as fontes, nunca tive problemas, sinto-me bastante respeitada, mas sabemos que não é a realidade predominante”, completa a jornalista.

“Uma vez houve uma invasão do MST na fazenda do [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso. Estava na redação, pegamos o carro e fomos para lá. Em um determinado momento, quando o clima ficou mais tenso, pelo fato de ser mulher, tive que ir embora”, relata Thaís Herédia. “Eu realmente era um ser estranho, que não cabia mais naquela cobertura”, lembra.

Segundo a observação de Thais, no entanto, atualmente no meio jornalístico as redações têm muitas mulheres. “Mesmo na cobertura econômica, em que praticamente todas as fontes são homens, as mulheres estão tomando conta nas redações, embora ainda seja um crescimento limitado”, diz.

Para ela, apesar da crescente inserção, a mulher continua sendo um ponto diferente em ambientes masculinos e deve lidar com isso no trabalho, dentro de casa e no grupo de amigos. “É comum perguntarem: ‘Mas você não recebe cantadas?’, pois isso é muito naturalizado”, conta Thaís Herédia. “Se isso acontecer, levanto e vou embora. Você deve se impor e ter credibilidade.”

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